sábado, 29 de dezembro de 2007

O intrigante mundo dos "quanta"

Coluna Física sem mistério
Publicada no Ciência Hoje On-line
21/12/2007

A evolução das idéias da física ao longo do tempo nos mostrou diferentes formas de se enxergar e interpretar a natureza. Quando os modelos de que dispomos não conseguem mais explicar os fatos observados ou novas descobertas são realizadas, assistimos à elaboração de novos paradigmas que modificam estruturalmente nossa forma de entender o mundo.

Uma famosa modificação de paradigma foi a transição do modelo geocêntrico, que durou mais de 2 mil anos, pelo modelo heliocêntrico, proposto pelo padre polonês Nicolau Copérnico (1473-1543) em 1543. No primeiro, acreditava-se que a Terra estaria imóvel no centro do universo, com o Sol, os planetas e as estrelas girando em torno dela. No segundo, o Sol é que fica no centro do nosso sistema planetário.

Nossa experiência cotidiana nos passa a sensação de que o Sol, a Lua, os planetas e as estrelas se movem no céu como se a Terra estivesse parada em um ponto privilegiado. Não sentimos diretamente qualquer efeito que nos indique que ela se move; ao contrário, temos a sensação de estarmos solidamente imóveis. No entanto, graças a várias observações realizadas principalmente pelo dinamarquês Tycho Brahe (1546-1601) e pelo italiano Galileu Galilei (1564-1642), aliadas a uma extraordinária persistência do alemão Johannes Kepler (1571-1630) e à grande visão do inglês Isaac Newton (1642-1727), foi possível consolidar a idéia de que é de fato a Terra que se move ao redor de si mesma e do Sol, e não o contrário.

De forma semelhante, no final do século 19 e no começo do século 20, novas descobertas começaram a abalar a visão dominante da chamada física clássica para explicar a natureza, provocando mudanças radicais não só em sua estrutura conceitual. A partir da compreensão dos novos fenômenos, houve a possibilidade de aplicá-los e muitas das facilidades tecnológicas que temos nos dias de hoje, como telefones celulares, computadores e muitos outros, são frutos dessa revolução na física. A mecânica quântica, que surgiu naquele momento, fez com que o mundo nunca mais fosse o mesmo.

O reino da física quântica é o mundo do átomo. Essa teoria explica como três das quatro forças fundamentais da natureza atuam sobre a matéria. A força eletromagnética se manifesta de diferentes formas – é ela que domina as interações entre átomos e moléculas. As forças nuclear forte e fraca atuam no interior do átomo é são responsáveis pela coesão do núcleo e pelo decaimento radioativo, respectivamente. A única força que a mecânica quântica ainda não descreve com a precisão necessária é a gravidade, responsável pela estrutura do universo em larga escala. Essa é descrita por outro importante pilar da física, a Teoria da Relatividade Geral.

Repensando a natureza
A física quântica desde seus primórdios teve um enorme impacto na forma de pensarmos a natureza. Em particular, conceitos como a quantização da energia, a dualidade onda-partícula e o princípio da indeterminação são alguns de seus aspectos mais fascinantes. Ao mesmo tempo, pode parecer em princípio que esses conceitos são esotéricos e até místicos, pois muitos deles vão de encontro à nossa visão de mundo.

A quantização da energia foi um dos primeiros conceitos a ser introduzido na física quântica. Ele nasceu para explicar a chamada radiação de corpo negro. Todo corpo, em uma determinada temperatura, emite radiação em uma faixa do espectro eletromagnético. No entanto, o comportamento previsto pela física clássica não era condizente com o observado pelos dados obtidos em experimentos com os chamados corpos negros, que absorvem toda a radiação eletromagnética que incide sobre eles.

O problema foi resolvido em 1900, quando o alemão Max Planck (1858-1947) conseguiu elaborar uma expressão que descrevia os resultados experimentais da época. Para isso, Planck introduziu o conceito segundo o qual a energia somente poderia ser absorvida na forma de valores discretos, em “pacotes” ou quanta, termo em latim que acabou batizando o ramo da física que nascia ali. Ele propôs que a energia era o produto da freqüência da radiação multiplicada por uma determinada constante, que posteriormente foi batizada com seu nome, que é igual a 6,62 x 10-34 J.s (J = joule – unidade de energia; s = segundo).

Nos anos 1990, o modelo de Planck pôde ser utilizado para descrever os dados observacionais obtidos pelo projeto Cobe (sigla em inglês para Explorador Cósmico de Fundo). Esse satélite mediu a distribuição espectral de radiação cósmica de fundo, que é uma das evidências da ocorrência do Big-Bang, e a medição era compatível com grande precisão com a equação formulada por Planck, mostrando que o próprio universo é um corpo negro.

A idéia da quantização da energia também foi utilizada por Albert Einstein (1879-1955) para descrever a interação da luz com a matéria, a partir do conceito de fóton, que seria um “quantum de luz”. Com esse conceito, Einstein propôs, em 1905, que a luz também poderia se comportar como partículas em vez de ondas. Alguns anos depois, o francês Louis de Broglie (1892-1987) propôs que as partículas atômicas, como os elétrons, também poderiam se comportar como ondas. Mais tarde, foi observado que elétrons também poderiam se comportar como ondas.

Em princípio, qualquer objeto, seja um átomo ou uma bola de tênis, tem um comprimento de onda associado. No caso de um objeto como uma bola de tênis que pese aproximadamente 100 gramas viajando com a velocidade de 100 km/h, seu comprimento de onda é extremamente pequeno, da ordem de 10-34 metros (1 dividido por 10 seguido por 34 zeros!), muito menos que o tamanho do núcleo atômico, que é da ordem de 10-15 metros. Por isso não observamos em nosso cotidiano bolas de tênis se espalhando pelo espaço como se fosse uma onda na superfície de um lago.

Princípio da indeterminação
Talvez um dos mais revolucionários conceitos da física quântica seja o chamado princípio da indeterminação, proposto pelo alemão Werner Heisenberg (1901-1976). Esse princípio diz que é impossível conhecer simultaneamente, com absoluta precisão, a quantidade de movimento e a posição de uma partícula (a imprecisão está associada com a constante de Planck). Como o valor dessa constante é muito pequeno, seus efeitos não são observados em nosso cotidiano, mas se tornam muito importantes na escala atômica.

Esses conceitos complexos da física quântica podem levar a diversas confusões quando tentamos correlacioná-los com fenômenos nos quais eles não se tornam relevantes, como vimos no exemplo da bola de tênis. Da mesma maneira, o princípio da indeterminação introduziu na física o conceito de que, ao medir determinadas grandezas não podemos saber com certeza absoluta seu valor, mas apenas uma probabilidade do mesmo. Esse aspecto contra-intuitivo da teoria contradiz a base da física clássica e, por isso, realmente abalou as estruturas do nosso conhecimento. O próprio Einstein jamais admitiu que a física quântica fosse completa por causa de interpretações como essa.

Nesse sentido, é sempre muito perigoso utilizarmos os estranhos conceitos da física quântica para tentar interpretar determinados fenômenos que para muitos parecem “inexplicáveis”. Faça uma busca na internet pelo termo “quântica” e você encontrará dezenas de sítios que fazem referência à “energia quântica”, a “terapias quânticas” etc. Da mesma maneira, o princípio da indeterminação é também utilizado como justificativa para os mais diversos argumentos, como a afirmativa segundo a qual não podemos ter certeza de mais nada. Infelizmente essa confusão leva a interpretações que não têm absolutamente nada a ver com os resultados precisos e importantes que a física quântica permite obter.

A mecânica quântica, como qualquer outro ramo do conhecimento, tem seu campo de atuação e é limitada para explicar uma determinada categoria de fenômenos. Embora seja muito charmosa, ela não pode ser utilizada como justificativa para práticas que algumas vezes são muito duvidosas. Seu verdadeiro mistério reside no fato de que a natureza pode ser realmente diferente do que percebemos com nossos sentidos, pois a forma de vermos o mundo é condicionada por nossa experiência humana.

Os rigorosos resultados obtidos pela física quântica nos permitiram vislumbrar mistérios e estranhos aspectos do natureza nunca antes imaginados e que agora conseguimos transformar em diversas tecnologias. Aí reside talvez a verdadeira magia que ela permite desvendar.

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A coluna Física sem Mistério é publicada na terceira sexta-feira do mês pelo físico Adilson J. A. de Oliveira, professor da UFSCar

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

AS SENSAÇÕES E AS INTERPRETAÇÕES HUMANAS

Coluna Por dentro da Ciência
Publicada no ClickCiência
05/12/2007

A mente humana é uma das mais fantásticas realizações da natureza. A organização biológica desenvolvida ao longo de milhões de anos permitiu o surgimento de uma espécie como a nossa. Talvez, a mais gritante diferença que há entre nós e todos os seres vivos, seja o fato de termos a consciência de existirmos; saber que somos alguma coisa e que aprendemos com as nossas experiências adquiridas através do contato com o mundo exterior ao nosso corpo.

Construímos a nossa percepção do mundo decorrente do contato sensorial. Tudo que percebemos por meio dos nossos sentidos ajuda a construir a nossa compreensão da realidade. Por exemplo, em uma caminhada entre árvores de um bosque em uma manhã ensolarada de primavera recebemos uma infinidade de informações. Ao enxergarmos a beleza do lugar, ouvir o canto dos pássaros, sentir cheiros, gostos e texturas diversos somos estimulados de diversas formas.

As sensações que recebemos são interpretadas pelo cérebro e criam diversas reações, como de paz e tranqüilidade, como na situação descrita acima, ou medo e apreensão se estamos em lugares sujos e escuros. Entretanto, cada indivíduo pode reagir aos mesmos estímulos de maneira completamente diferente. Os estímulos também podem nos remeter a memórias e pensamentos criando uma infinidade de reflexões. As informações podem ser as mesmas para vários indivíduos, mas a resposta é quase sempre única para cada um.

Os nossos sentidos funcionam em determinadas regiões do nosso corpo a partir de estímulos que recebemos do meio ambiente. Eles são baseados em “sensores” muito sofisticados que foram desenvolvidos ao longo de milhões do mundo. Cada um deles foi se transformando devido aos estímulos do meio ambiente, favorecendo as configurações mais adaptadas os desafios impostos pelo meio. Estamos hoje aqui graças ao sucesso do nosso projeto. Ele foi vencedor na concorrência imposta pela natureza.

Temos extrema confiança no que os nossos sentidos nos transmitem. Em particular, o sentido da visão é um dos quais mais confiamos. Quando vemos alguma coisa ficamos mais seguros sobre o que ela se refere. A visão funciona de uma maneira extremamente sofisticada. Os nossos olhos captam luz, que é uma emanação eletromagnética de uma pequena parte de um amplo espectro. Os nossos olhos captam radiações que tem o seu comprimento de onda entre 400 a 700 nanômetros (um nanômetro é um bilionésimo de um metro). Esses limites equivalem respectivamente a cor vermelha (700 nm) e violeta (400 nm), passando pelo amarelo, verde e azul. Entretanto, somos expostos a outras radiações, que vão desde ondas de rádio, que possuem comprimento de onda de dezenas de metros, até radiações de mais alta energia, ultravioleta e raios-x. Temos o conhecimento dessas outras radiações pelo uso de outros “olhos” desenvolvidos artificialmente. Por exemplo, uma forma de detectar raios-x bastante comum é a utilização de chapas fotográficas.

Os nossos olhos se ajustaram para captar essa faixa específica do espectro eletromagnético porque grande parte da luz do Sol que chega até nós está dentro dessa faixa de comprimento de onda. Se emissão de luz do Sol fosse predominantemente em outros comprimentos de ondas, a nossa visão do mundo poderia ser bem diferente.

Os nossos sensores visuais (olhos) utilizam o cristalino, que funciona como uma lente que fica dentro de nossos olhos. Ele está situado atrás da pupila, que é a porta de entrada e que admite e regula o fluxo de luz. Quando somos expostos a luzes muito intensas a nossa pupila se contrai. Quando estamos em um lugar escuro ela se dilata para coletar melhor a luz. É por esse motivo que quando entramos em uma sala escura leva alguns segundos para enxergarmos melhor. A luz concentrada pelo cristalino atinge a retina, que é composta de células nervosas que leva a imagem através do nervo óptico para que o cérebro as interprete. Em particular, como qualquer lente, o cristalino projeta a imagem invertida. O nosso cérebro “sabe” que é preciso levar isso em consideração e interpreta esses sinais de maneira a “inverter” a imagem. Por isso, embora seja o olho que capta a luz, quem enxerga e vê as imagens é o cérebro. É por esse motivo que quando sofremos algum abalo na nossa cabeça ou temos, por exemplo, uma crise de enxaqueca, as imagens que vemos aparecem distorcidas, embora os olhos as estejam captando perfeitamente. Nesse caso o problema não é no “sensor”, mas sim no “interpretador de dados.”

Entretanto, algumas imagens que os olhos captam podem ser interpretadas de maneira equivocada pelo nosso cérebro. Um exemplo disso é que observamos a Lua Cheia aparecendo no horizonte ao final da tarde. Costumamos enxergar uma enorme Lua, que à medida que vai subindo no céu, parece ficar menor. Entretanto, se fotografarmos a Lua no horizonte e no zênite (quando a Lua está exatamente sobre a nossa cabeça) com a mesma capacidade de amplificação verificaremos que a imagem terá o mesmo tamanho. Isso nos mostra que não é um problema físico da luz espalhando pela nossa atmosfera (como encontramos corriqueiramente como a explicação desse fenômeno), mas sim a forma que o nosso cérebro interpreta essa imagem. De fato, ainda não há uma explicação completa para esse fato. Mais detalhes sobre esse efeito pode ser visto em A Ilusão do tamanho da Lua no horizonte.

O nosso olhar para o mundo é influenciado pelas nossas experiências e a nossa experiência é afetada pelas sensações que os nossos sentidos captam. Esse retorno contínuo é de fundamental importância para o nosso desenvolvimento. Tanto os sensores (sentidos) como as sensações (interpretações) são responsáveis por isso. O resultado disso é sempre um individuo único com as suas visões particulares do mundo.

Adilson J. A. de Oliveira - professor associado I do Departamento de Física (DF) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), membro do Grupo de Supercondutividade e Magnetismo (GSM) do DF e do Núcleo de Excelência em Materiais Nanoestruturados Eletroquimicamente (Nanofael) e editor da revista digital Click Ciência.


quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Está no ar a 9a. Edição da ClickCiência

Estamos colocando no ar mais uma edição da ClickCiência.
Nesta Edição tratamos do tema Computação Ubíqua, que sem percebermos, está cada vez mais presente no nosso cotidiano.
Leiam o Editorial desse mês e visitem o site. Com certeza vão encontrar matérias interessantes.


Editorial

Publicado em: 05/12/2007

Bem-vindos a uma nova computação!


Redação Click Ciência

Os adolescentes de hoje podem não se lembrar, mas quem já passou dos quarenta não se esquece que há pouco tempo atrás, pensar em ter um computador pessoal era algo quase inviável. Hoje, além de termos fácil acesso, esses objetos estão cada vez menores, rápidos e com mais tecnologia embarcada. Para muitas pessoas, o dia-a-dia sem eles é como uma volta ao passado.

A nona edição da revista digital Click Ciência relata exatamente a evolução dessas tecnologias e o seu papel em nossas vidas. O que antes era apenas conhecida como computação, agora começa a ter sobrenomes, ubíqua, pervasiva, ciente de contexto, invisível. Nomes que simbolizam uma nova era da computação, aquela em que o homem interage com o computador quase sem preceber.

Na seção “Reportagens” abordamos de forma bem ampla esta nova computação. Abordamos o papel dela em nossas vidas, como ela irá facilitar o nosso dia-a-dia, como serão os computadores – qual será nova “cara” deles em um futuro muito próximo.

Também abordamos em “Reportagens” alguns dos serviços que estarão disponíveis dentro de alguns anos. O leitor também descobrirá que os computadores, para nos servir, terão que saber cada vez mais sobre nós, e poderão escolher se querem ou não que isso ocorra. A computação ubíqua traz consigo preocupações, como a invasão de privacidade. Por isso, junto desta nova computação, nascem novos sistemas de segurança.

Na seção “Entrevistas”, Cláudio Geyer, doutor em informática pela Universite de Grenoble I, nos esclarece a sua percepção desse pesquisador sobre a computação ubíqua. A tendência para a área e as tecnologias que são necessárias para o desenvolvimento da área também são abordadas na entrevista.

Dentro das questões que devem ser vistas com “cautela”, Márcia Tait, colunista desta revista, aborda qual o tipo de relação entre os usuários e a sociedade em geral com esses sistemas inteligentes. Para ela, a inserção de novas tecnologias no nosso meio deve ser cuidadosa. Para Márcia, há nelas um baixo grau de decisão e entendimento, por parte do usuário, que é inversamente proporcional ao grau de dependência e ignorância dos chamados “usurários”.

Antonio Loureiro, articulista desta edição, nos apresenta os antecessores da computação ubíqua. Ele relata quais as tecnologias que possibilitaram o surgimento da ubicomp (como também é conhecida a computação ubíqua) e como elas estão sendo utilizadas na área.

Em Resenhas, Raul Maciel, estudante do curso de Imagem e Som da UFSCar, faz um relato rememorando o filme Jornada nas Estrelas IV - a volta para casa (Leonard Nimoy, 1986) e suas curiosidades sobre a relação do homem com a tecnologia. Raul também nos lembra uma outra grande obra, 2001: Uma Odisséia no Espaço, de Stanley Kubrick. Esta obra clássica nos coloca a pensar no desenvolvimento da tecnologia em nossa civilização e da influência dela sobre as sociedades.

Em As máquinas pensam?, Silvio Renato Dahmen nos traz uma discussão filosófica sobre a inteligência artificial. "Como o próprio nome diz, “inteligência artificial” pressupõe a idéia que seja possível criar uma inteligência que não aquela “natural”, um atributo de seres vivos, mas sim artificialmente, ou seja, em máquinas."

Em As sensações e as interpretações, Adilson de Oliveira, colunista da Click Ciência e autor dos textos da coluna Por dentro da Ciência, escreve sobre a nossa sensação sobre o mundo e como ela é influenciada por nossas experiências. Adilson também relata a influência do nosso cérebro na interpretação de determinadas imagens.

Na coluna Caleidoscópio: Língua, GramáticaS & Ensino, de Roberto Baronas, escreve sobre o uso da expressão “minha pessoa”. Baronas relata as hipóteses para o seu uso. Na hipótese sociolingüística, segundo o autor, tem a ver com o fato de os falantes terem uma espécie de “consciência” lingüística do que está certo e do que está errado não só na fala do outro, mas principalmente na sua própria fala.

A revista Click Ciência buscou nesta edição abordar algumas das principais áreas que fazem parte do universo da computação ubíqua. Por isso, a edição não contempla todas as áreas. Esperamos que vocês se divirtam imaginando como as novas tecnologias poderão nos ajudar nas mais diversas tarefas. Boa leitura!


sexta-feira, 30 de novembro de 2007

O nosso ensino de Ciências continua ainda muito precário

Os resultados divulgados a respeito do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) coloca os estudantes brasileiros da educação básica novamente nas últimas posições. Em particular, no quesito de Ciências, o desempenho foi pior. O dado alarmante é que apenas 9 % dos professores de Física da rede pública de ensino tem formação na área. No caso de Química o número é 13%.
No meu ponto de vista há vários fatores que nos levam a ser a lanterna novamente. Alguns eu considero que são mais críticos:

1-) Falta de incentivo para a carreira de professor: com baixo salários jamais teremos bons resultados. Número excessivo de aulas também não permite a preparação adequada dos professores. Ninguém trabalha direito se não tiver as condições adequadas.

2-) Falta de investimento na formação continuada dos professores: Se o professor não tem tempo para se atualizar, pesquisar, participar de congressos, fazer cursos etc, não há como melhorar a sua prática docente.

3-) Falta de ações de divulgação científica: A Ciência ainda está muito longe dos alunos e das pessoas que estão fora do ambiente escolar. Se não somente os estudantes mas também a sua família tem acesso a esse tipo de informação surge o ambiente necessário para a formação da cultura científica. Como qualquer outra forma de conhecimento apenas nos interessamos por algo quando aquilo de fato representa alguma coisa para a nossa vida.

Mais detalhes vejam a reportagem da Folha de S.Paulo de hoje

sábado, 17 de novembro de 2007

A morte e a vida nos céus

Coluna Física sem mistério
Publicada no Ciência Hoje On-line
16/11/2007

A morte e o nascimento são os eventos principais de nossas vidas. Uma das certezas absolutas é que, após nascermos, um dia morreremos. Desde os mais remotos tempos, cada povo lida com esse dilema à sua maneira. A religiosidade é um dos meios comumente utilizados para explicar a morte. A grande maioria das religiões acredita que a morte não é o fim, mas o início de uma nova etapa na qual a individualidade é mantida. Muitas culturas ocidentais acreditam nessa hipótese. Outros povos acreditam que a essência humana volta para um todo maior, como é o caso de algumas culturas orientais.

Na natureza, observamos diariamente o processo de vida e morte. A criação e a destruição de formas de vida são mecanismos fundamentais para nossa sobrevivência. Dependemos da existência de outros organismos para nos mantermos vivos. Entretanto, algumas entidades parecem não obedecer ao ciclo de vida das plantas e animais.

Na Antigüidade, ao olhar para o céu, o homem tinha a sensação que apenas as estrelas eram eternas. Ano após ano elas estavam lá, imutáveis. Passavam-se várias estações, nasciam e morriam imperadores e reis, mas as estrelas continuavam da mesma forma. Como a maioria acreditava que a eternidade era um atributo divino, sem dúvida o céu deveria ser a morada dos deuses. Por esse motivo é que configurações de estrelas foram identificadas com os mitos e deuses. Olhar para céu era como contemplar o divino.

Atualmente sabemos que nem as estrelas são eternas. De maneira semelhante aos seres vivos, elas têm um ciclo de vida: nascem, atingem a maturidade e, depois, morrem. A diferença fundamental é que seu ciclo de vida tem uma escala de tempo muito superior à humana – ele dura bilhões de anos.

Na constelação de Órion, uma das maiores que podemos observar no céu, próximo ao cinturão, também conhecido com “as Três Marias”, há uma pequena nuvem que pode ser vista em noites sem Lua e em uma região sem poluição visual. Trata-se de uma nebulosa – uma gigantesca nuvem de gás e poeira que é um nascedouro de estrelas. Ela dista aproximadamente 1.270 anos-luz da Terra e tem uma extensão de 24 anos-luz (um ano luz equivale a cerca de 10 trilhões de quilômetros).

Nasce uma estrela
As estrelas nascem a partir da aglomeração de matéria no interior das nebulosas devido à ação da força da gravidade – a mesma que nos mantém presos à superfície da Terra. Uma nebulosa é constituída basicamente por hidrogênio e hélio. À medida que a matéria se aglomera na nebulosa, a densidade cresce em alguns locais e, conseqüentemente, essas regiões atraem mais matéria, começando a formar o que chamamos de proto-estrela.

Como a força da gravidade depende da quantidade de massa, quanto mais massa é acumulada, maior é a intensidade da força gravitacional nessa região da nebulosa. Dessa forma, as partículas são atraídas e se chocam umas com as outras em altas velocidades. Nesse processo, a energia de movimento das partículas se transforma em calor, aumentando a temperatura. Passados milhões de anos, a temperatura atinge alguns milhões de graus e favorece a ocorrência dos processos de fusão nuclear, transformando quatro núcleos do átomo de hidrogênio (que é constituído por apenas um próton) em um núcleo de hélio (que possui dois prótons e dois nêutrons).

Nesse processo, dois prótons se transformam em dois nêutrons, emitindo duas partículas de carga positiva e massa igual ao do elétron (o pósitron). Como a massa final de um núcleo de hélio é menor do que a massa inicial dos quatro prótons, essa diferença se transforma em energia, de acordo com a famosa equação deduzida por Einstein – E=mc 2 .

Com o início da fusão nuclear, nasce a estrela. Dependendo da massa inicial acumulada, ela viverá milhões ou bilhões de anos. Na maior parte da sua vida, a estrela permanece em equilíbrio, devido ao balanço entre a força gravitacional, que tende a fazer com que ela se contraia, e a pressão gerada pela alta temperatura, que tende a fazê-la expandir. É como se fosse um cabo de guerra, na qual duas forças competem uma contra a outra.

O início do fim
Estrelas com massa semelhante ao Sol ficam em equilíbrio por aproximadamente 10 bilhões de anos. Quanto maior a massa da estrela, mais rapidamente é queimado o combustível nuclear. Quando não há mais hidrogênio para manter a fusão nuclear, a temperatura diminui e a estrela se contrai. Esse processo de contração aumenta a pressão e a temperatura, levando agora à fusão de núcleos de hélio, que cria novos elementos, como o carbono, o nitrogênio e o oxigênio.

Ao ocorrer a queima do hélio, a estrela expande e se transforma em uma “gigante vermelha”. Podemos observar no céu estrelas que estão neste estágio de evolução como Betelguese (uma das mais brilhantes da constelação de Órion). Nessa fase, a estrela está atingindo a senilidade. Após algum tempo, a parte mais externa da estrela acaba expulsa pela chamada “pressão de radiação”, mandando para o meio interestelar essa matéria, que formará uma “nebulosa planetária”, que leva esse nome apenas porque lembra um planeta, quando observada ao telescópio.

Nessa nova etapa, a estrela volta a se contrair e se transforma em um objeto muito compacto que chamamos de anã-branca – uma estrela de pouco brilho, muito quente e praticamente composta apenas de carbono. Finalmente, ela esfria e se torna um corpo opaco conhecido como “anã-marrom”, pois não emite mais luz visível.

As estrelas muito maiores que o Sol são as gigantes azuis, como Rigel, da constelação de Órion, que tem 17 vezes a massa do Sol. Essas estrelas costumam ter um destino um pouco diferente. Em vez de permanecerem estáveis por bilhões de anos, seu ciclo de vida está na escala da centena de milhões de anos.

Quando ocorre o processo final de contração, a força gravitacional é tão intensa que leva a um gigantesco colapso. A matéria fica tão comprimida que os elétrons são empurrados para os núcleos atômicos de forma que eles reagem com os prótons e se transformam em nêutrons. Nessa situação, ocorre um dos eventos mais violentos do universo: a estrela explode e libera em poucos meses uma quantidade enorme de energia equivalente à que ela própria levaria alguns milhões de anos para produzir em circunstâncias normais. Nessa situação, uma estrela é capaz de brilhar mais que uma galáxia inteira. Chamamos tal acontecimento de supernova.

No ano de 1054 os chineses registraram a presença de uma “estrela visitante”, que ficou visível durante alguns meses e depois não foi mais observada. Hoje, na posição em que eles registraram a “estrela visitante”, observamos a nebulosa do Caranguejo. No seu interior, existe uma estrela composta apenas de nêutrons – o resto da supernova.

O escuro fim de uma estrela
Por outro lado, o resultado desse processo também pode levar à formação de um dos mais misteriosos objetos do universo: o buraco negro. Um buraco negro é uma estrela com massa muito compacta e, como conseqüência, sua gravidade é tão intensa que seria preciso viajar a uma velocidade superior à da luz para escapar dela.

Como nada no universo pode viajar mais rápido que a luz, segundo a teoria da relatividade, nada, em princípio, pode escapar de um buraco negro. Algumas teorias, como a proposta pelo físico inglês Stephen Hawking, postulam que, em situações especiais, algum tipo de radiação poderia sair de um buraco negro. Entretanto, tal radiação nunca foi observada. Por outro lado, existem evidências muito fortes da existência dos buracos negros, principalmente nos núcleos de algumas galáxias.

O interior do buraco negro ainda é um dos maiores mistérios da física, pois as condições peculiares dessa singularidade necessitam de uma teoria que compatibilize a teoria da relatividade geral (o modelo que melhor explica a gravitação) com a mecânica quântica (o que descreve com mais precisão os eventos na escala atômica). Este é um passo que ainda precisa ser dado.

O que ocorre após a morte desse tipo de estrela ainda é um mistério que precisa ser desvendado, da mesma maneira que precisamos compreender o que de fato pode ocorrer após a nossa morte. A evolução estelar nos mostra que nem no céu a vida é eterna.

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A coluna Física sem Mistério é publicada na terceira sexta-feira do mês pelo físico Adilson J. A. de Oliveira, professor da UFSCar

domingo, 4 de novembro de 2007

Hoje São Carlos faz 150 anos

Hoje é o aniversário de São Carlos, a cidade que adotei há 20 anos e onde nasceram os meus filhos.
Toda a minha carreira científica foi feita nessa cidade (apenas sai dela por curto tempo).
Para quem não conhece São Carlos é um lugar privilegiado para se morar, em particular para fazer Ciência, pois existem muitas pessoas trabalhando com pesquisa aqui. Tem mais de 1000 doutores morando nessa cidade de 200 mil habitantes, o que a torna a com maior densidade de pesquisadores por habitante do Brasil.

Além disso, São Carlos sempre investiu no seu maior patrimônio, que a sua gente.


PARABÉNS SÃO CARLOS!!!!!

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

A Estranha Magia do Magnetismo

Coluna Física sem mistério
Publicada no Ciência Hoje On-line
19/10/2007


A compreensão dos mistérios da natureza sempre foi um grande desafio para todos nós. Alguns fenômenos que acontecem de forma corriqueira podem parecer, em princípio, produzidos por magia. No ritmo atual de transformações tecnológicas que vivemos, muitos dispositivos presentes em nosso cotidiano seriam verdadeiros artefatos mágicos algumas décadas atrás. Basta compararmos o início do século 20 com os dias atuais.

Muitos dos grandes avanços tecnológicos que temos hoje sequer podiam ser concebidos naquela época, embora certos fenômenos por trás dessas tecnologias já fossem compreendidos. Nascia então a chamada mecânica quântica, ramo da física que estuda os fenômenos na escala do átomo. Em particular, a origem dos fenômenos magnéticos, tão presentes em nosso dia-a-dia, começou de fato a ser melhor compreendida naquele momento histórico.

Os fenômenos magnéticos têm despertado a curiosidade humana há milhares de anos. Temos, por exemplo, relatos sobre ímãs pelos gregos já por volta do ano 800 a.C. Coube ao filósofo grego Tales de Mileto (625-556 a.C.) propor uma primeira explicação para os fenômenos magnéticos. Ele atribuía as propriedades de atração e repulsão da magnetita (um ímã natural) ao fato de ela ter “uma alma própria”. Posteriormente, Platão tentou explicar os fenômenos magnéticos admitindo que a atração e a repulsão fossem devidas à “umidade” e à “secura” da magnetita. Entretanto, essas idéias eram apenas especulações e não revelaram a verdadeira origem do magnetismo.

Quase dois milênios depois, no ano de 1600, uma importante obra foi publicada pelo médico e físico inglês William Gilbert (1544-1603): De magnete [Sobre o magneto]. Nesse livro, ele explicou por que as bússolas apontam a direção norte-sul. Gilbert afirmou que a Terra era um gigantesco ímã que emitia “eflúvios”, atraindo os outros ímãs. Essa é uma obra de grande importância, considerada um dos primeiros tratados experimentais de física, pois Gilbert chegou a essa explicação a partir da construção de um modelo esférico feito de magnetita para representar a Terra, que ele chamou de “terrela”.

Essa estranha magia da atração que os ímãs (ou materiais magnéticos) exercem entre si fascina muito nosso imaginário. É comum as pessoas associarem uma “certa influência magnética” a forças ou fenômenos que desconhecem. Albert Einstein (1879-1955) conta em suas notas autobiográficas que, quando tinha entre 4 ou 5 anos de idade, após se recuperar de uma enfermidade, ganhou do seu pai uma bússola e esse objeto o fascinou. Ele não compreendia como a agulha mudava de posição se nada estava encostando nela. O episódio foi considerado por ele determinante para estimular sua curiosidade científica.

Movimento dos elétrons
A origem do magnetismo está associada ao movimento dos elétrons ao redor do núcleo atômico. Quando os elétrons realizam esse movimento, associamos a eles uma propriedade conhecida como momento angular, que podemos entender como o produto da sua quantidade de movimento pela distância entre eles e o núcleo. Apenas para comparação, imagine uma bailarina girando em torno de si com os braços abertos: quando ela os encolhe, passa a girar mais rapidamente para que o momento angular permaneça constante.

Os elétrons possuem ainda uma outra característica, chamada de spin O spin é uma propriedade que todas as partículas que compõem a matéria possuem. Em inglês, essa palavra significa “rodopio”. Poderíamos imaginar que partículas, como elétrons, têm rotação. Contudo, como foi demonstrado pela mecânica quântica, um elétron (ou qualquer outra partícula elementar do átomo) não pode ser descrito apenas como partícula, pois também se comporta como se fosse uma onda.

De fato, o spin é uma propriedade que não se compara com nada que existe em nossa volta. Ele está associado com a maneira que os elétrons ocupam os níveis de energia no átomo. Um elétron pode ter o spin “up” (para cima) ou “down” (para baixo). Essa nomenclatura é apenas para diferenciar duas situações. Nos átomos não existe “para cima” ou “para baixo”. As propriedades magnéticas surgem então da combinação do momento angular e do spin do elétron.

Gravação magnética

Embora o magnetismo nos faça lembrar principalmente da bússola ou dos ímãs que colocamos na geladeira para prender pequenos recados, ele tem um impacto muito maior. Praticamente todas as informações atualmente disponíveis estão gravadas de maneira magnética. Os computadores armazenam centenas de gigabytes de informação em seus discos rígidos por meio do processo de gravação magnética.

A gravação de cada informação é feita por meio da aplicação de campos magnéticos sobre o material que compõe os discos rígidos. As informações são gravadas na forma de um código binário, como uma seqüência de “0” e “1”. Pode-se representar, por exemplo, o “0” como um pequeno ímã com o pólo norte apontando para cima ou o “1” com o pólo apontando para baixo.

Com o conhecimento mais profundo dos mecanismos responsáveis pelos fenômenos magnéticos da matéria e os avanços na produção de materiais na escala atômica, tornou-se possível construir artificialmente novos materiais que apresentam propriedades magnéticas inusitadas. Um dos grandes avanços alcançados nessa área ocorreu a partir da observação de um novo fenômeno físico chamado de magnetorresistência gigante, descoberto em 1988, com a participação de um pesquisador brasileiro, o professor Mario Baibich, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Naquela época, ele trabalhava em um laboratório francês em Orsay, na região parisiense, liderado pelo professor Albert Fert. Praticamente na mesma época, o físico alemão Peter Grünberg observou efeito semelhante.

Magnetorresistência gigante

A magnetorresistência gigante ocorre quando se produzem finas camadas de átomos de apenas alguns nanômetros (um nanômetro equivale a um bilionésimo de metro) alternando-se materiais magnéticos e não magnéticos. Dependendo de quanto as camadas magnéticas estiverem separadas, elas podem ficar com uma orientação paralela (ambas com os pólos norte-sul na mesma direção) ou antiparalelas (com cada camada com orientações opostas).

Nessa segunda situação, se passarmos uma corrente elétrica pelo material, poderemos observar que este oferece uma determinada resistência à passagem da corrente. Quando se aplica um campo magnético à camada que está orientada na direção oposta, seus pólos se invertem para se alinhar na direção em que o campo magnético está aplicado. Quando isso ocorre, a resistência à passagem da corrente elétrica deste material pode variar até dezenas de vezes. Dessa maneira, um material construído dessa forma particular pode ser utilizado como um sensor magnético muito preciso.

Desde meados da década de 1990 os computadores utilizam esse tipo de dispositivo em seus discos rígidos. Isso permitiu que as capacidades dos discos rígidos, que eram da ordem de 1 ou 2 gigabytes , fosse aumentada para 200 gigabytes , como podemos encontrar nos computadores pessoais atualmente. Antes disso, a tecnologia utilizada era a de enrolamento de fios na forma de uma bobina de transformação. Essa configuração não podia ser miniaturizada como se consegue com os dispositivos magnetorresistivos.

A grande importância dessa descoberta foi reconhecida na semana passada pela Academia de Ciências da Suécia, que agraciou Albert Fert e Peter Grünberg com o prêmio Nobel de Física deste ano. Talvez não tenha havido em toda a história da ciência outra descoberta de um fenômeno físico que se tivesse transformado tão rapidamente em uma aplicação tecnológica de grande importância. O magnetismo é um ramo fascinante da física, que sem dúvida ainda atrairá muitos interesses.

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A coluna Física sem Mistério é publicada na terceira sexta-feira do mês pelo físico Adilson J. A. de Oliveira, professor da UFSCar

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

A estupidez de um ganhador do prêmio Nobel

Nessa época, todos os anos, a Academia de Ciências da Suécia divulga os ganhadores do Prêmio Nobel, e costuma aparecer em todas os jornais e televisões. Receber esse prêmio coloca os ganhadores em uma galeria que é preenchida pelas maiores mentes da humanidade nos últimos 100 anos, como Einstein, Bohr, Feymann só para citar os de Física.

Entretanto, ganhar tal prêmio não dá o direito do ganhador achar que tem a visão mais ampla e clara do que todos.

Hoje na Folha de S. Paulo há uma matéria referente a chocante declaração do biólogo James Watson, ganhador do prêmio Nobel pela descoberta da estrutura do DNA, sobre a sua visão que os africanos (e os seus descendentes) são menos inteligentes que os europeus. Nas palavras do "ilustre" cientista:

"Todas as nossas políticas sociais são baseadas no fato de que a inteligência deles [dos negros] é igual à nossa, apesar de todos os testes dizerem que não", afirmou o cientista. "Pessoas que já lidaram com empregados negros não acreditam que isso [a igualdade de inteligência] seja verdade."

Tal declaração não tem a base científica que ele alega. Além disso há todo um contexto social, cultural da brutal exploração que as pessoas daquele continente sofreram ao longo de séculos. Ser o fundador da Biologia Molecular não dá o direito de afirmar tal coisa, pois a inteligência vai muito além dos genes. Realmente é uma visão simplista (e idiota) demais. Ele passou do limite com essa afirmação.

Uma pergunta: uma declaração como essa não seria crime até aqui no Brasil, com prisão sem direito a fiança?


terça-feira, 9 de outubro de 2007

Saiu o Prêmio Nobel de Física de 2007 - Spintrônica

A Academia de Ciências da Suécia divulgou hoje os ganhadores do prêmio Nobel de Física. Foram os físicos francês Albert Fert e o alemão Peter Grünberg pela descoberta do efeito da magnetorresistência gigante, descoberto, de maneira independente, pelo grupo desses pesquisadores. Essa descoberta permitiu o desenvolvimento de hard disks mais compactos que puderam revolucionar a informática. De fato, esse trabalho deu o grande impulso para a Spintrônica - a eletrônica de spins, que é um novo campo que utiliza não somente a carga do elétron, mas também o spin para controlar e manipular informações.

Essa descoberta desse fenômeno se transformou em aplicação tecnológica em uma escala de 5 anos. Talvez não aconteceu algo antes tão rapidamente na Física.

O destaque importante é que o primeiro autor do artigo de 1988 (Phys. Rev. Lett. 61, 1988, 2472) é o físico brasileiro que trabalha na UFRGS, o Prof. Mario Baibich, que observou o fenômeno pela primeira vez.

É importante destacar que inúmeros pesquisadores brasileiros trabalharam (e trabalham) diretamente com Prof. Fert, como o Prof. Dante Homero Mosca, da Universidade Federal do Paraná e o Prof. Luiz Fernando Schelp, da Universidade Federal de Santa Maria.

O meu grupo de pesquisa da UFSCar, o Grupo de Supercondutividade e Magnetismo, mantém intercâmbio com esse grupo francês, onde um de nossos alunos estagiou (Dr. José Varlda) por mais de um ano.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Está no ar a 8a. Edição da ClickCiência


A nova edição da ClickCiência traz matérias referentes a retomada da energia nuclear como fonte para geração de energia elétrica, principalmente no Brasil. Há uma entrevista exclusiva com o físico José Goldemberg e mais a opinião de diversos especialistas. Vejam o editorial desse mês.


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A energia elétrica está tão presente em nosso dia-a-dia que não dá nem para imaginar como seria passar alguns dias sem ela. Mas além da tomada, onde são ligados aqueles aparelhos mais indispensáveis da nossa casa ou escritório, há um mundo que vive em constante adaptação. A esse mundo pertencem as empresas de produção e distribuição de energia. Nele há uma constante: a necessidade de ampliar a produção de energia elétrica. Se essa constante falhar, podemos ficar sem energia.

Na oitava edição da revista digital Click Ciência, abordamos as perspectivas de crescimento do consumo de energia no Brasil e quais as ações necessárias para suprir essa demanda. Nesta edição, voltamos nossa atenção para a energia nuclear e o seu papel dentre as demais fontes de energia que compõem a matriz energética brasileira. Entrevistas com alguns pesquisadores e leituras de materiais já publicados na Internet, e citados nos textos, possibilitaram levantar algumas questões relacionadas aos prós e contras da energia nuclear.

Ao longo dos textos que compõem as reportagens abordamos a posição da energia nuclear no Sistema Interligado Nacional. Também abordamos a questão do combustível, o urânio, no Brasil, bem como o enriquecimento deste mineral para que ele possa ser utilizado como combustível para as usinas nucleares.

Em “Ainda bem que o consumo vai aumentar” uma análise sobre o aumento do consumo energético e o aquecimento global. Nesse texto fazemos uma análise de como os especialistas do setor pensam o desenvolvimento e as questões de sustentabilidade.

Em “Nem todo rejeito é lixo” abordamos as preocupações relacionadas aos rejeitos gerados pelas usinas nucleares, uma questão que recebe bastante atenção, já que os rejeitos são altamente radioativos. Você também saberá um pouco mais sobre os reatores nucleares na seção Reportagens.

Entrevistamos José Goldemberg, consultor do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e autor de trabalhos técnicos e livros sobre Física Nuclear, Energia e Meio Ambiente. Goldemberg é autor de livro na área de energia nuclear e escreve sobre o assunto para diversas revistas. Na entrevista para a Click Ciência, ele nos fala sobre a energia nuclear no Brasil, suas vantagens e desvantagens.

Na seção artigos, José Antônio Batista de Souza e Adonis Marcelo Saliba Silva, pesquisadores do Centro de Combustível Nuclear (CCN) do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares - IPEN/CNEN – SP, explicam o processo de enriquecimento do urânio. Ao final do artigo eles comentam a questão do enriquecimento no País.

Adilson de Oliveira nos descreve um fenômeno natural que está diretamente relacionado à energia: as perdas na transformação da energia. Isso ocorre porque no processo de conversão, por exemplo, de energia mecânica em elétrica (o que ocorre nas turbinas das hidrelétricas), parte dela irremediavelmente é convertida em energia que não consegue se aproveitar. “Estamos condenados a sempre poluir o nosso mundo. O importante é conseguirmos minimizar esses efeitos”.

Márcia Tait traz uma discussão sobre a complexidade que envolve a adoção da tecnologia nuclear. A colunista da Click Ciência faz uma reflexão que não se limita ao uso militar da energia nuclear, mas a influência política para o seu uso como aparato militar. A autora descreve alguns episódios recentes que remeteram a utilização do “poder e autoritarismo” embutidos na tecnologia nuclear em escala global.

Roberto Baronas nos escreve sobre as relações entre língua e sociedade. “Alguns estudiosos do assunto chegam a asseverar que as línguas são o espelho, o reflexo, uma espécie de extensão, de efeito das estruturas sociais ou culturais”. Para ele, pensar que uma certa preponderância do sexo masculino no sistema lingüístico possa significar uma discriminação, é uma interpretação equivocada.

Na resenha desta edição, um filme e um livro que tratam do tema. O filme, uma mistura de ficção e documentário, é o "Césio 137 - O Pesadelo de Goiânia". A obra foi escrita e dirigida pelo cineasta baiano Roberto Pires e mostra o que a falta de informação e o abandono do lixo hospitalar causaram: um dos piores acidentes radiológicos com Césio 137 já ocorrido. O livro é o “Fogo dos Deuses”. Uma obra que perpassa pelos 2.600 anos da história do átomo, mencionando tanto os usos pacíficos quanto os usos militares da energia nuclear.

A equipe da revista Click Ciência abordou o tema desta edição com um cuidado especial, já que energia nuclear causa tanta polêmica. Esperamos ter acertado na abordagem, e contamos com a participação de vocês, que, caso tenham dúvidas, sugestões e críticas, podem nos escrever. Boa leitura!

50 Anos do Sputnik


Como já foi veiculado em muitos meios de comunicação, hoje faz 50 anos que foi colocado em órbita o primeiro satélite artificial. Desde daquela época milhares desses artefatos foram colocados para orbitar não somente o nosso planeta, mas outros do sistema solar. A ida ao espaço é uma das maiores aventuras humanas. Entretanto, é interessante lembrar que fomos ao espaço por causa das nossas razões belicosas. Lançar o Sputnik foi um ato dos soviéticos para mostrar para todo mundo, principalmente aos americanos, que eles eram capazes de produzir mísseis intercontinentais, capazes de lançar armas nucleares em qualquer ponto do planeta. A chegada dos americanos na Lua em 1969 foi outra dessas demonstrações.

É claro que a corrida espacial trouxe muito retorno do ponto científico, mas sempre o motor importante foi a sua aplicação militar, principalmente àquela voltada para as expedições com seres humanos. A tentativa de chegar em Marte poderá ser mais uma dessas investidas.

Talvez um dia a humanidade olhe para estrelas com pensando em um futuro de paz. Que a curiosidade seja o principal motor e não a incrível tendência humana de buscar o poder.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

O Enigma do Movimento

Coluna Física sem mistério
Publicada no Ciência Hoje On-line
21/09/2007

Atualmente, a maioria das pessoas, sobretudo as que vivem em regiões urbanas, utilizam algum veículo para se locomover, especialmente automóveis. Quando o automóvel (ou qualquer outro veículo) entra em movimento, sentimos no seu interior uma força que nos comprime contra o assento. Quanto mais intensa é a aceleração, maior é essa força.

Durante as transmissões esportivas de corridas de Fórmula 1, por exemplo, é comum que se exibam gráficos mostrando a aceleração que o piloto está sentindo no cockpit , normalmente expressa em unidades de “g”, que representa a aceleração da gravidade terrestre, que vale aproximadamente 9,8 m/s 2 . Dessa forma, quando o piloto sofre uma aceleração igual a 2 ou 3 “g”, é como se ele sentisse duas ou três vezes o seu peso comprimindo-o contra o assento. O que o faz sentir essa sensação?

A explicação vem de um conceito introduzido por Galileu Galilei (1564-1642) conhecido como inércia. Galileu mostrou que um corpo permanecerá em repouso ou continuará a se mover com velocidade constante em uma linha reta a menos que um agente externo atue sobre ele. Isaac Newton (1643-1727) incorporou esse conceito na sua formulação da Mecânica Clássica e ele ficou conhecido como a 1ª Lei de Newton.

Quando o carro começa a se mover, o nosso corpo, de acordo com o princípio da inércia, tenderá a se manter no seu estado de repouso. O assento, ligado ao carro, empurra o nosso corpo e esse reage empurrando o banco. Da mesma maneira, quando o automóvel freia bruscamente, somos arremessados para frente, pois o carro pára, mas nós continuamos em movimento. Quanto maior for a massa do corpo, mais difícil é alterar o seu estado de movimento. Portanto, é mais difícil parar um caminhão com várias toneladas do que um carro, pois a sua inércia é maior.

Uma outra situação na qual sentimos esse efeito é quando estamos em pé em um ônibus urbano e este faz uma curva fechada, por exemplo, para a direita. Ao acontecer isso, sentimos “uma força” nos impulsionando para a esquerda.

Entretanto, uma pessoa que estivesse na calçada descreveria a situação de maneira diferente. Para ela, o ônibus mudou a sua trajetória e quem está dentro dele continuou a se movimentar em linha reta, como prevê a 1ª Lei de Newton. Para esse observador, não existe força nenhuma atuando sobre os passageiros do ônibus, apenas a ação da tendência de todos os corpos manterem o seu estado de movimento. Mas quem tem a resposta correta? Existe uma força ou é apenas uma ilusão para quem viaja no ônibus? Qual é a origem dessa força que nos arremessa contra a parede do ônibus?

Questões como essas despertaram o interesse de Albert Einstein (1879-1955). Por volta do ano de 1907, ele pensava em uma forma de generalizar a Teoria da Relatividade Restrita, que ele tinha proposto em 1905 (veja a coluna Sonhos de um jovem visionário ). Segundo essa teoria, nenhum observador poderia ser considerado privilegiado em relação a outro qualquer. Quando Einstein formulou essa hipótese, ele apenas considerou a sua validade para os chamados “observadores inerciais”, que, como diz o próprio nome, são observadores que mantêm o seu estado de movimento e não estão sujeitos à ação de forças.


Inércia X gravidade


Havia também uma questão que incomodava Einstein. Como a gravidade atua sobre os corpos independentemente do material ou do estado físico do corpo? Podemos pensar nessa questão da seguinte maneira: um corpo sob a ação de uma força sofre uma determinada aceleração de acordo com a sua massa. Nesse contexto, essa é a massa inercial do corpo, pois a inércia está relacionada ao estado de movimento. Por outro lado, se a força que atua sobre o corpo é a força gravitacional, esta é igual ao produto da massa (agora chamada de massa gravitacional) pelo campo gravitacional. Como era conhecido desde a época de Newton, ambas as massas têm o mesmo valor. Contudo, para Einstein, isso significava que ora a mesma qualidade (massa) do corpo se manifesta como “inércia”, ora como “gravidade”.


Essa conseqüência levou à elaboração do chamado Princípio da Equivalência, segundo o qual as experiências realizadas localmente na presença de um campo gravitacional dão os mesmos resultados que as realizadas em um sistema de referência não-inercial (observador acelerado). Por exemplo, na Estação Espacial Internacional, que se encontra a uma altitude de 600 km em relação ao solo, costumamos ver os astronautas flutuarem e afirma-se que eles não estão sofrendo a ação da gravidade. Porém, esta afirmação estará correta ou incorreta dependendo do ponto de vista.

Se considerarmos o interior da estação espacial, teremos a impressão de que não há gravidade naquele local. Entretanto, se observarmos de fora da estação, de qualquer ponto da superfície terrestre, verificaremos que os astronautas estão caindo o tempo todo na direção da Terra. Eles – e a estação espacial – nunca chegam ao solo, pois, à medida que caem, a superfície da Terra (que é curva) se afasta na mesma proporção. Levando em conta esse referencial, existe sem dúvida a ação de uma força.

Da mesma maneira, um astronauta no interior de um foguete que está viajando no espaço profundo, longe da influência gravitacional de qualquer objeto celeste, mas com uma aceleração igual à da gravidade terrestre, terá a sensação de estar sobre a superfície da Terra. Se ele subir em uma balança para medir o seu peso, terá o mesmo valor de quando o mediu em uma balança na Terra. Será também fisicamente impossível para ele distinguir se o seu foguete está estacionado sobre a superfície da Terra ou viajando aceleradamente. Portanto, em ambas as situações, não se pode distinguir qual é de fato a ação que está ocorrendo.

Segundo o Princípio da Equivalência, não podemos saber, no caso do ônibus fazendo a curva, se estamos em um sistema acelerado ou se existe um campo gravitacional que nos puxa para fora (a não ser que haja alguma informação externa ao ônibus). Essa surpreendente constatação de Einstein levou à formulação da sua Teoria da Relatividade Geral, que em sua essência é uma nova teoria da gravitação, que modificou completamente a maneira de vermos o espaço e o tempo. A partir dessa teoria, pode-se compreender que a inércia está associada à gravidade e esta, por sua vez, à curvatura do espaço provocada pela presença da massa. Essa fantástica idéia, que abordarei futuramente, foi uma das maiores revoluções científicas de toda a história. Ela finalmente resolveu o enigma do movimento.

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A coluna Física sem Mistério é publicada na terceira sexta-feira do mês pelo físico Adilson J. A. de Oliveira, professor da UFSCar

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

A influência do olhar

Coluna Física sem mistério
Publicada no Ciência Hoje On-line
17/08/2007

Nossa compreensão do mundo é feita a partir da observação. Cada indivíduo, através dos sentidos, percebe a sua maneira o meio no qual vive. Costumamos confiar mais na visão, pois quando observamos alguma coisa a compreendemos melhor. Uma imagem, como diz o ditado, pode “valer por mil palavras”.

Desde os primórdios da humanidade, olhamos ao nosso redor e elaboramos idéias e modelos para explicar o que nos cerca. Admiramos muitas coisas por sua beleza e formas e outras tentamos simplesmente entender. Esses atos corriqueiros, quando são transformados em construções elaboradas do nosso pensamento, criam idéias e conceitos que podem transcender o tempo e o espaço.
Um exemplo dessa situação é o conjunto de idéias construídas por talvez uma das mentes mais brilhantes de todos os tempos. Refiro-me ao filósofo grego Aristóteles (384-322 a.C.) que, além de ter sido o tutor de Alexandre, o Grande, foi um dos pensadores que mais influenciou a humanidade. Como muitos dos filósofos gregos, ele prezava por observar detalhadamente a natureza. A partir das suas reflexões, elaborou todo um sistema de idéias, construídas com lógica e coerência, para explicar o que observava. Há quase 2.400 anos ele criou, entre outras coisas, uma “física” e uma “biologia” para interpretar o que seu olhar podia vislumbrar.

Aristóteles explicou, por exemplo, a queda dos corpos a partir de conceitos que ele considerava fundamentais. Para ele, o universo era constituído de cinco elementos: água, ar, fogo, terra e éter. Os quatro primeiros formariam tudo o que existe em nosso mundo e o quinto existiria apenas no céu, responsável por constituir estrelas e planetas e preencher todo o espaço.

Cada elemento teria seu “lugar natural”. A terra estaria no centro do universo. Em seguida teríamos a água e, acima dela, o ar e depois o fogo. Um elemento densamente formado por terra, como uma pedra, cai em direção ao centro do universo, voltando para o seu lugar natural. Bolhas de ar em um líquido movem-se para cima. Dessa maneira, Aristóteles compreendeu que os objetos mais pesados tenderiam a voltar mais rapidamente para o seu “lugar natural” do que os mais leves.

Essa noção é ainda muito comum para a maioria das pessoas. A experiência cotidiana é, na maioria das vezes, compatível com a explicação de Aristóteles. Se soltarmos simultaneamente uma folha de papel e uma pedra, verificaremos, com certeza, que a pedra chegará primeiro ao chão. Entretanto, se amassarmos a folha e repetirmos a experiência, veremos que elas chegarão praticamente juntas ao chão. A folha e a pedra continuam tendo exatamente o mesmo peso: o que mudou foi a forma do papel. Hoje sabemos que o ar oferece resistência ao movimento, em função de vários fatores, em particular, da geometria do objeto. Automóveis e aviões são especialmente projetados para otimizar a resistência do ar em seus movimentos.

A explicação de Aristóteles de por que os corpos caem não reflete o que sabemos nos dias de hoje. Os quatro elementos propostos por ele não são elementos fundamentais, e sim compostos de outros mais fundamentais, os átomos.

Galileu e a ciência moderna

O cientista italiano Galileu Galilei (1564-1642), um dos maiores pensadores de todos os tempos, mostrou que os corpos caem todos com a mesma aceleração, ou seja, se minimizarmos a resistência do ar, tanto uma pena como um martelo chegariam juntos à superfície, como o astronauta David Scott confirmou em experimento feito na Lua em 1973, durante a missão Apollo 15.

A ciência moderna, de uma forma resumida, é baseada na observação, na experimentação e na construção de modelos que expliquem a realidade. Galileu no século 16 e 17 ajudou a desenvolver essa noção para mudar alguns conceitos, em particular muitos daqueles defendidos pelo próprio Aristóteles. O fato de a Terra girar em torno de si a cada 24 horas e do Sol a cada 365 dias, por exemplo, levou muito tempo para ser aceito. Nossa observação cotidiana não nos dá qualquer pista de que esses movimentos acontecem. Pelo contrário, vemos o Sol nascer em uma dada região do horizonte e se pôr do outro lado. Ninguém tem a sensação de estar sobre um objeto que gira em torno de si com a velocidade de aproximadamente 1.700 km/h.

Para mudar esse paradigma, foi necessário muito tempo. Galileu defendeu ferrenhamente o chamado modelo heliocêntrico (com o Sol no centro) proposto pelo polonês Nicolau Copérnico (1473-1543). Galileu, utilizando uma pequena luneta astronômica e enxergando de maneira diferente as imagens que obtinha, conseguiu expandir a compreensão do cosmos. Ele observou que existiam quatro luas orbitando o planeta Júpiter (hoje sabemos que há mais de 60), mostrando que os objetos celestes giravam também em torno de outros corpos. Além disso, ele também constatou que os planetas Mercúrio e Vênus exibiam fases semelhantes às da Lua, que somente podem ser explicadas se considerarmos que esses planetas giram em torno do Sol. Dessa forma, ele foi construindo uma série de argumentos para justificar que a Terra e os demais planetas do Sistema Solar orbitavam o Sol e não a Terra.

Um outro olhar contribuiu de maneira decisiva para mudar a nossa visão do universo. O astrônomo dinamarquês Tycho Brahe (1546-1601) observou o céu por quase toda a sua vida sem o auxílio de uma luneta astronômica, que somente foi introduzida alguns anos após a sua morte por Galileu. Entretanto, Brahe conseguiu construir o mais moderno observatório a olho nu do seu tempo e acumulou dezenas de anos de observações sobre a trajetória dos planetas, em particular de Marte, que realiza um estranho movimento nos céus ao longo de seu percurso de aproximadamente dois anos.

Embora esse fato fosse conhecido até antes da época de Aristóteles, explicar esse movimento estava cada vez mais complicado, pois as novas e mais precisas observações feitas por Brahe mostravam que era insustentável a idéia de o Sol, as estrelas e os planetas girarem ao redor da Terra. Entretanto, Brahe não conseguiu explicar satisfatoriamente o que suas observações revelavam. Foi necessário, novamente, alguém com um olhar diferente para enxergar mais longe.

As leis de Kepler

Nesse ponto da história entra um novo personagem: o astrônomo alemão Johannes Kepler (1571-1630). Ele trabalhava como assistente de Tycho Brahe e assumiu o cargo após sua morte. Olhando detalhadamente durante alguns anos os resultados de Brahe sobre a trajetória de Marte, Kepler desvendou o mistério do movimento planetário. Ele propôs três leis que permitiam explicar a trajetória dos planetas no céu de uma maneira nunca antes alcançada.

Kepler mostrou que as órbitas dos planetas não são circulares ao redor do Sol, como defendiam Copérnico e Galileu, mas elipses muito pouco alongadas. Percebeu também que, quanto mais próximo o planeta estava do Sol, mais rapidamente ele se movia e que, quanto mais se afastava, mais lento era seu movimento. Descobriu ainda uma relação entre a distância do planeta ao Sol e o período que ele gasta para realizar seu movimento (o cubo da distância dividido pelo quadrado do período é constante para qualquer planeta).

As leis de Kepler para as órbitas planetárias foram de fundamental importância para que outro grande nome da ciência explicasse a causa do movimento dos planetas ao redor do Sol. O inglês Isaac Newton (1643-1727) foi o propositor da força da gravidade e das leis da mecânica que explicam não somente o movimento dos planetas, mas por que os objetos caem com a mesma velocidade. Entretanto, a força gravitacional não é visível aos nossos olhos. Observamos seus efeitos e a partir deles conseguimos compreender sua natureza. Nesse caso, como escreveu o francês Saint-Exupéry em seu famoso livro O pequeno príncipe , “o essencial é invisível aos olhos...”

Nosso olhar para a natureza sempre permitirá diversas interpretações. Em particular, quando observamos de maneira mais profunda e transformamos aquilo que enxergamos em conhecimento, podemos ir além e perceber que existem coisas que nem os olhos vêem e nem o coração pode sentir, mas que a mente pode descobrir.


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A coluna Física sem Mistério é publicada na terceira sexta-feira do mês pelo físico Adilson J. A. de Oliveira, professor da UFSCar

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Atingimos 50.000 visitas

No dia 03 de agosto superamos a barreira de 50.000 acessos.
Obrigado a todos que visitam e deixam os seus comentários.
Fico feliz que tudo o que eu escrevi nos últimos 3 anos foi visto (mesmo que muito rapidamente) por todos esses visitantes.
Penso que os meus artigos científicos, publicados em revistas especializadas, jamais atingirão essa marca. Talvez apenas um centésimo disso.
Ambos são importantes, mas sem dúvida, mas me dá muito mais satisfação saber que o blog teve todos esses acessos do que o meu fator H calculado pelo Web of Science.

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Está no ar a 7a. Edição da Click Ciência


Com um pouco de atraso estamos colocando no ar a 7a. edição da Revista Digital de Divulgação Científica Click Ciência. Nesta edição tratamos do tema Biomagnetismo e Magnetobiologia. Aproveitem e mande críticas e sugestões, que sempre são bem vindas. Leiam o Editorial.

Alguma vez você parou para analisar que nós, seres humanos, classificados biologicamente como Homo sapiens, somos os únicos seres do planeta Terra a utilizar uma bússola? Pensando nisso, alguma vez você se perguntou porque muitos animais, como pássaros e peixes, migram em determinadas épocas do ano e, sempre, retornam para o mesmo local sem a necessidade de nenhum aparato científico?

Perguntas como essas foram deixadas de lado por muito tempo na ciência. Descobertas, como a da bússola, facilitaram a vida do homem. E muitas outras fizeram dele a espécie dominante entre as demais aqui existentes. Contudo, a grande maioria dos Homo sapiens, como veremos nas reportagens da sétima edição da revista digital Click Ciência, pode ter deixado de lado uma característica natural de muitos seres da Terra: a capacidade de se guiar pelos campos magnéticos gerados pela Terra – os campos geomagnéticos.

É certo que essa capacidade talvez fosse um diferencial importante se o homem não descobrisse a bússola, mas, talvez não tão utilizada a não ser naqueles dias nublados. Mesmo sem aprimorá-la, o corpo humano produz continuamente campos magnéticos no seu interior, como descrito na reportagem Os campos magnéticos no homem. Esses campos são bem inferiores ao campo magnético da Terra, mas podem ser medidos com a ajuda de equipamentos sofisticados. Além desses campos magnéticos, o corpo humano é dotado de nanopartículas de materiais magnéticos em diferentes partes, como no fígado.

Por trás desses conhecimentos a medicina vem buscando novas alternativas de tratamento e diagnóstico de doenças, ora fazendo uso dos campos magnéticos, ora usando o próprio material magnético. A revista Click Ciência destacou nesta edição as áreas mais estudadas no Brasil e no mundo. Entrevistamos os poucos pesquisadores em biomagnetismo – estudo dos campos magnéticos gerados pelo corpo humano – que atuam no Brasil.

Uma outra linha de pesquisa que também liga a biologia e o magnetismo é a magnetobiologia – estudo da interação dos seres vivos com o campo magnético da Terra. Para falar desse tema, entrevistamos a pesquisadora Darci Motta, do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas. Darci nos revela o que a pesquisa mundial já conseguiu com relação a essa interação e quais os caminhos a percorrer. Entre os seres vivos estudados por Darci e sua equipe estão as formigas e abelhas.

Henrique Lins de Barros, companheiro de trabalho de Darci, em um artigo para a Click Ciência, relata a história da descobertas das bactérias magnéticas e as perguntas que surgiram após essas descobertas. Ele nos conta quando e como a equipe deu início ao estudo da magnetobiologia e quais os desdobramentos desde o início das pesquisas.

Adilson de Oliveira nos conta em sua coluna a história da bússola e a importância da descoberta desse instrumento no desenvolvimento da ciência, bem como na própria descoberta do magnetismo.

Márcia Tait traz em seu texto um resumo dos assuntos abordados na 59ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para Progresso da Ciência (SBPC), que reuniu a comunidade científica brasileira em Belém, capital do estado do Pará. Teve destaque segundo Márcia a discussão sobre os desafios científicos e tecnológicos para o desenvolvimento socioeconômico sustentável. A jornalista também faz um sucinto relato da relação entre empresas, pesquisadores e comunidades tradicionais, pela exploração do potencial econômico da floresta amazônica.

Em Notas sobre concordância pantaneira, Roberto Leiser Baronas nos explica os motivos que fazem com que certas comunidades pantaneiras interpretem certos substantivos femininos como masculinos. Em um texto leve e estimulante, Baronas explica as razões lingüísticas dessa “troca”.

Sílvio Renato Dahmen, em O matemático e a Princesa, descreve uma curiosidade sobre a vida do grande cientista matemático Leonhard Euler (1707-1783), pouco conhecida entre muitos cientistas: suas importantes atividades como “divulgador de ciência” entre leigos. Dahmen relata que, entre os anos de 1760 e 1762, Euler se dedicou a escrever cartas na intenção de ministrar aulas de matemática à jovem princesa Sophie Charlotte von Brandenburg-Schwedt, de apenas 15 anos, filha de um grande amigo de Euler.

Em Uma invenção que transformou o mundo, uma visão sobre o livro “Bússola – A invenção que mudou o mundo”. Essa obra foi escrita pelo matemático Amir D. Aczel, professor do Bentley College em Boston – Massachusetts, EUA. Nela o autor traça a trajetória da bússola, que inicialmente foi utilizada para fazer previsões e profecias.

Escrever sobra magnetobiologia e biomagnetismo foi, para a equipe da revista Click Ciência, um exercício de compreensão, pois o tema ainda é foco de pesquisa no País e não de aplicação. Contudo, nos esforçamos para que você, leitor, compreenda as futuras aplicações que dessas áreas poderão emergir e que trarão resultados para diversas outras áreas. Boa leitura!



sábado, 21 de julho de 2007

Uma possível jornada nas estrela

Coluna Física sem mistério
Publicada no Ciência Hoje On-line
20/07/2007

Ao olhar para o céu nas noites claras de inverno, como ocorrem nesta época do ano, pode-se observar milhares de estrelas com diferentes formas e cores. Esses pequenos pontos luminosos, que na verdade são gigantescos corpos celestes compostos basicamente de hidrogênio e hélio em altíssimas temperaturas, estão tão distantes que, ao olharmos para eles, não podemos vê-los no presente momento, mas sim como eles eram no passado.

Não é conveniente medir em quilômetros a distância das estrelas. Por exemplo, a distância do Sol à Terra é de 150 milhões de km. A estrela seguinte mais próxima, Alfa-Centauri (a mais brilhante da constelação do Centauro, que na verdade constitui um sistema triplo de estrelas), dista 40 trilhões de km.

Para termos uma idéia dessa escala, imagine que fôssemos construir uma maquete colocando essas duas estrelas. Se considerarmos a distância Terra-Sol igual a um metro, Alfa-Centauri deveria ser colocada a 270 km, distância aproximada da minha cidade, São Carlos, a São Paulo. A luz, que viaja a 300.000 km/s, leva oito minutos para percorrer a distância que nos separa do Sol. Já a luz de Alfa-Centauri leva mais de quatro anos para atingir a Terra. Por isso, utiliza-se como unidade de distância, nas escalas astronômicas, a unidade ano-luz, ou seja, a distância que a luz percorre em um ano, que equivale a 9,5 trilhões de km.

Dessa maneira, ao observarmos Alfa-Centauri, estamos vendo a luz que partiu dela há quatro anos. A estrela Sírius, a mais brilhante do céu, é vista na Terra como era há oito anos e meio. A estrela Betelgeuse, a brilhante estrela vermelha de Órion, se apresenta para nós como era 427 anos atrás. O objeto mais distante que podemos observar a olho nu é a vizinha galáxia de Andrômeda, que possui mais de 100 bilhões de estrelas. Ao olharmos para ela, observamos como ela era há dois milhões de anos – uma época em que o homem ainda não caminhava sobre a Terra. Outros objetos já foram observados a distâncias superiores a bilhões de anos-luz.

Essas distâncias incomensuráveis que nos separam das estrelas e galáxias no universo de certa maneira nos deixam isolados. As espaçonaves Voyager 1 e 2 são as mais velozes já construídas pelo homem e viajam na impressionante velocidade de 151 mil km/h e 128 mil km/h, respectivamente (quase 122 e 104 vezes a velocidade do som). Após visitarem Júpiter, Saturno, Urano e Netuno, elas foram aceleradas pela ação gravitacional desses planetas e arremessadas para fora do Sistema Solar. Entretanto, nessa velocidade, essas espaçonaves levariam cerca de 43 mil anos para alcançar Alfa-Centauri e 270 milhões de anos para atingir o centro da nossa galáxia, que dista 25 mil anos-luz.

A luz é o limite
Se em um futuro distante pudermos construir espaçonaves mais rápidas, há um limite de velocidade que elas não poderão ultrapassar: a velocidade da luz. Inúmeros experimentos feitos em laboratório e eventos astronômicos observados já comprovaram esse fato. Quanto mais próximo tentamos chegar da velocidade da luz, mais energia é necessário. Se fosse possível alcançá-la, seria preciso uma quantidade infinita de energia.


Há cerca de 100 anos o físico alemão Albert Einstein (1879-1955), por meio da sua teoria da relatividade especial, propôs uma explicação para esses fatos. A velocidade da luz é um limite que não pode ser violado. Como conseqüência, nossos conceitos de tempo e de espaço deveriam ser mudados. Desta forma, em um primeiro momento, ficamos com a sensação de que estaremos sempre presos a essa limitação da natureza. Uma barreira que não pode ser vencida.

Entretanto, as próprias idéias de Einstein também nos permitem, de alguma maneira, viajar até essas estrelas distantes em escalas de tempo compatíveis com a vida humana. Quando viajamos em velocidade muito próxima à da luz, o tempo flui de uma maneira muito mais lenta. Esse fenômeno, conhecido como dilatação temporal, verificado em inúmeros experimentos, mostra que, quanto mais perto estamos da velocidade da luz, mais lentamente o tempo passa.

Se viajarmos, por exemplo, a 10% da velocidade da luz, ou 30.000 km/s (650 vezes mais rápido do que a espaçonave Voyager 1), para cada 10 segundos passados aqui na Terra, o relógio da espaçonave avançaria 9,95 segundos, ou seja, ele registraria o tempo mais lentamente. Por outro lado, se a viagem fosse feita com 99,999% da velocidade da luz, 10 segundos aqui na Terra corresponderiam a apenas 0,04 segundos na espaçonave. Desta forma, uma jornada de ida e volta para Betelguese demoraria, para esse viajante, aproximadamente dois anos. Para quem ficou na Terra, porém, quase 860 anos teriam se passado, ou seja, o astronauta não encontraria na volta ninguém que conhecia ainda vivo. Viajar dessa maneira é também uma jornada para o futuro, mas sem volta.

A curvatura do espaço
Existem outras alternativas, muito mais complexas, que permitem viagens interestelares de grande distância sem que os efeitos temporais sejam problemáticos. De alguma maneira é possível driblar o impedimento imposto pelo limite da velocidade da luz. Em 1915, Einstein generalizou os conceitos da relatividade e incluiu nela os efeitos de corpos acelerados e campos gravitacionais, mostrando que a presença de matéria curva o espaço e o tempo dando origem à força gravitacional. Dessa forma, o efeito da gravidade decorre do fato de os corpos se deslocarem por um espaço curvo.

A famosa equação E=mc 2 (energia igual ao produto da massa vezes a velocidade da luz ao quadrado) mostrou que matéria e energia são equivalentes. Em função disso, uma solução tecnológica para esse problema seria construir uma espaçonave capaz de gerar enormes quantidades de energia ao seu redor, o suficiente para curvar o espaço de forma que a distância que ela percorreria seria menor do que se viajasse pelo espaço normal, como na figura ao lado. Contudo, a energia necessária para tanto seria equivalente a toda a energia que o Sol produziu nos últimos 5 bilhões de anos.

Essa curvatura do espaço permitiria aproximar pontos longínquos do espaço, como se dobrássemos uma folha de papel aproximando dois pontos que anteriormente estavam distantes. Como o espaço que separa dois pontos ficou menor, pode-se viajar a uma velocidade bem menor que a da luz e, portanto, os efeitos de dilatação temporal são irrelevantes.

Essa solução, embora tecnologicamente inviável talvez por muitos séculos, é a saída que muitos escritores de ficção científica encontraram para justificar os seus enredos. Talvez o primeiro a utilizá-la foi o autor da série Jornada nas Estrelas ( Star Trek ), na qual a espaçonave Enterprise se vale desse recurso para percorrer distâncias enormes. O astrônomo e divulgador de ciência Carl Sagan, no seu livro Contato , também utilizou um recurso semelhante para viabilizar a viagem da protagonista da história até o centro da galáxia.

Alcançar as estrelas ainda é um sonho de difícil realização. Levaremos muitos séculos para superarmos os limites tecnológicos que tal empreitada requer. No momento, podemos apenas realizar uma jornada nas estrelas por meio do nosso conhecimento e imaginação.



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A coluna Física sem Mistério é publicada na terceira sexta-feira do mês pelo físico Adilson J. A. de Oliveira, professor da UFSCar

sexta-feira, 13 de julho de 2007

59a. Reunião da SBPC - Ultimo Dia

Infelizmente tive alguns problemas para mandar as minhas opiniões sobre a Reunião da SBPC nos últimos dias. Mas hoje, vai um resumão.

Fiquei triste de ter poucos físicos na reunião, embora a assembléia geral da SBF sempre ocorre nessa reunião.
Houve um momento que foi muito interessante, que foi a palestra do Prof. Jeter que recebeu o prêmio José Reis de Divulgação Científica. Ele contou toda a sua trajetória, de mais de 40 anos, voltado a construção do museu de ciências da PUC do RS. A emoção na fala e o brilho nos olhos, mostra como é bom, após tanto trabalho, alcançar esse sucesso. Da maneira que ele contava cada pedaço do mueseu, que ele levou 4 décadas para construir, mostrava que aquilo foi feito com extrema dedicação e emoção. Realmente ele mereceu o prêmio.

O curso de Astrobiologia do Carlos Alexandre Wuensche, do INPE, foi também muito interessante.
Infelizmente, o meu "Física para Poetas" (mini-curso que eu tinha proposto para essa reunião), não deu muito ibope e por isso foi cancelado. No próximo ano a reunião será na UNICAMP. Espero que até lá eu tenha aprendido a vender esse peixe melhor.

Finalmente, como a minha primeira participação na SBPC, fiquei feliz de ter o contato com outras áreas do conhecimento de uma maneira tão informal e amigável. Deu para ampliar muito os horizontes. Em particular, no momento escrevo do restaurante do Hangar no qual ocorreu a reunião. Há um enorme quadro com a representação em cerâmica de todas as mãos que construíram na construção do préio. São centenas. Isso mostra que tudo deve ser construído com a ajuda de muitos, e não devemos nunca nos esquecer daqueles que realmente colocam a mão na massa.