quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Está no ar a 7a. Edição da Click Ciência


Com um pouco de atraso estamos colocando no ar a 7a. edição da Revista Digital de Divulgação Científica Click Ciência. Nesta edição tratamos do tema Biomagnetismo e Magnetobiologia. Aproveitem e mande críticas e sugestões, que sempre são bem vindas. Leiam o Editorial.

Alguma vez você parou para analisar que nós, seres humanos, classificados biologicamente como Homo sapiens, somos os únicos seres do planeta Terra a utilizar uma bússola? Pensando nisso, alguma vez você se perguntou porque muitos animais, como pássaros e peixes, migram em determinadas épocas do ano e, sempre, retornam para o mesmo local sem a necessidade de nenhum aparato científico?

Perguntas como essas foram deixadas de lado por muito tempo na ciência. Descobertas, como a da bússola, facilitaram a vida do homem. E muitas outras fizeram dele a espécie dominante entre as demais aqui existentes. Contudo, a grande maioria dos Homo sapiens, como veremos nas reportagens da sétima edição da revista digital Click Ciência, pode ter deixado de lado uma característica natural de muitos seres da Terra: a capacidade de se guiar pelos campos magnéticos gerados pela Terra – os campos geomagnéticos.

É certo que essa capacidade talvez fosse um diferencial importante se o homem não descobrisse a bússola, mas, talvez não tão utilizada a não ser naqueles dias nublados. Mesmo sem aprimorá-la, o corpo humano produz continuamente campos magnéticos no seu interior, como descrito na reportagem Os campos magnéticos no homem. Esses campos são bem inferiores ao campo magnético da Terra, mas podem ser medidos com a ajuda de equipamentos sofisticados. Além desses campos magnéticos, o corpo humano é dotado de nanopartículas de materiais magnéticos em diferentes partes, como no fígado.

Por trás desses conhecimentos a medicina vem buscando novas alternativas de tratamento e diagnóstico de doenças, ora fazendo uso dos campos magnéticos, ora usando o próprio material magnético. A revista Click Ciência destacou nesta edição as áreas mais estudadas no Brasil e no mundo. Entrevistamos os poucos pesquisadores em biomagnetismo – estudo dos campos magnéticos gerados pelo corpo humano – que atuam no Brasil.

Uma outra linha de pesquisa que também liga a biologia e o magnetismo é a magnetobiologia – estudo da interação dos seres vivos com o campo magnético da Terra. Para falar desse tema, entrevistamos a pesquisadora Darci Motta, do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas. Darci nos revela o que a pesquisa mundial já conseguiu com relação a essa interação e quais os caminhos a percorrer. Entre os seres vivos estudados por Darci e sua equipe estão as formigas e abelhas.

Henrique Lins de Barros, companheiro de trabalho de Darci, em um artigo para a Click Ciência, relata a história da descobertas das bactérias magnéticas e as perguntas que surgiram após essas descobertas. Ele nos conta quando e como a equipe deu início ao estudo da magnetobiologia e quais os desdobramentos desde o início das pesquisas.

Adilson de Oliveira nos conta em sua coluna a história da bússola e a importância da descoberta desse instrumento no desenvolvimento da ciência, bem como na própria descoberta do magnetismo.

Márcia Tait traz em seu texto um resumo dos assuntos abordados na 59ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para Progresso da Ciência (SBPC), que reuniu a comunidade científica brasileira em Belém, capital do estado do Pará. Teve destaque segundo Márcia a discussão sobre os desafios científicos e tecnológicos para o desenvolvimento socioeconômico sustentável. A jornalista também faz um sucinto relato da relação entre empresas, pesquisadores e comunidades tradicionais, pela exploração do potencial econômico da floresta amazônica.

Em Notas sobre concordância pantaneira, Roberto Leiser Baronas nos explica os motivos que fazem com que certas comunidades pantaneiras interpretem certos substantivos femininos como masculinos. Em um texto leve e estimulante, Baronas explica as razões lingüísticas dessa “troca”.

Sílvio Renato Dahmen, em O matemático e a Princesa, descreve uma curiosidade sobre a vida do grande cientista matemático Leonhard Euler (1707-1783), pouco conhecida entre muitos cientistas: suas importantes atividades como “divulgador de ciência” entre leigos. Dahmen relata que, entre os anos de 1760 e 1762, Euler se dedicou a escrever cartas na intenção de ministrar aulas de matemática à jovem princesa Sophie Charlotte von Brandenburg-Schwedt, de apenas 15 anos, filha de um grande amigo de Euler.

Em Uma invenção que transformou o mundo, uma visão sobre o livro “Bússola – A invenção que mudou o mundo”. Essa obra foi escrita pelo matemático Amir D. Aczel, professor do Bentley College em Boston – Massachusetts, EUA. Nela o autor traça a trajetória da bússola, que inicialmente foi utilizada para fazer previsões e profecias.

Escrever sobra magnetobiologia e biomagnetismo foi, para a equipe da revista Click Ciência, um exercício de compreensão, pois o tema ainda é foco de pesquisa no País e não de aplicação. Contudo, nos esforçamos para que você, leitor, compreenda as futuras aplicações que dessas áreas poderão emergir e que trarão resultados para diversas outras áreas. Boa leitura!



5 comentários:

  1. Adilson,

    Eu me lembrava de ter lido algo no "Cais de Gaia" (nosso companheiro no "Roda de Ciência" sobre o sentido de orientação dos pombos.

    Finalmente consegui localizar o artigo: A Criatura de terça-feira: a cheirar o caminho de volta, onde se dá conta de que o olfato é o que guia os pombos.

    Até que ponto os nervos olfativos podem estar associados à percepção do magnetismo terrestre?

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  2. E, já que você não respondeu, eu fui chatear meu amigo de juventude, Dr. Paulo Paes de Andrade, biofísico da UFPE.

    Ele confirmou que os pombos também têm uma membrana com cristais paramagnéticos; só não confirmou se essa membrana tem alguma ligação com as fossas nasais.

    Como é que eu vou atazanar a vida do nosso bom Caio, se você não me ajuda?... :)

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  3. Caro João,
    Eu tinha respondido o seu comentário, mas por algum motivo ele não ficou postado.
    Tinha encontrado essas duas referências:
    NATURE 432 (7016): 508-511 NOV 25 2004
    Esta talvez possa responder a pergunta.
    Um abraço
    Adilson

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  4. Bingo! "Uma membrana na parte superior do bico..."

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  5. Mandei o link do artigo para o Paulo. Ele adorou. Bate exatamente com o que ele tinha adiantado: não só uma membrana paramagnética, como o concurso dos demais sentidos.

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