A Academia de Ciências da Suécia divulgou hoje os ganhadores do prêmio Nobel de Física. Foram os físicos francês Albert Fert e o alemão Peter Grünberg pela descoberta do efeito da magnetorresistência gigante, descoberto, de maneira independente, pelo grupo desses pesquisadores. Essa descoberta permitiu o desenvolvimento de hard disks mais compactos que puderam revolucionar a informática. De fato, esse trabalho deu o grande impulso para a Spintrônica - a eletrônica de spins, que é um novo campo que utiliza não somente a carga do elétron, mas também o spin para controlar e manipular informações.
Essa descoberta desse fenômeno se transformou em aplicação tecnológica em uma escala de 5 anos. Talvez não aconteceu algo antes tão rapidamente na Física.
O destaque importante é que o primeiro autor do artigo de 1988 (Phys. Rev. Lett. 61, 1988, 2472) é o físico brasileiro que trabalha na UFRGS, o Prof. Mario Baibich, que observou o fenômeno pela primeira vez.
É importante destacar que inúmeros pesquisadores brasileiros trabalharam (e trabalham) diretamente com Prof. Fert, como o Prof. Dante Homero Mosca, da Universidade Federal do Paraná e o Prof. Luiz Fernando Schelp, da Universidade Federal de Santa Maria.
O meu grupo de pesquisa da UFSCar, o Grupo de Supercondutividade e Magnetismo, mantém intercâmbio com esse grupo francês, onde um de nossos alunos estagiou (Dr. José Varlda) por mais de um ano.
Professor Adilson.
ResponderExcluirA que se deve o 'esquecimento' dos autores originais dos artigos, tanto o Baibich quanto o G. Binash ?
Os premiados foram co-autores, não entendo essa premiação. O senhor teria mais alguma informação?
Caro Tiago,
ResponderExcluirOs premiados não são apenas co-autores, mas sim os chefes dos grupos de pesquisa nos quais foram feitas as descobertas. Além disso, não somente esse artigo está valendo o Nobel, mas também todo o avanço que esses dois pesquisadores fizeram no entendimento desse fenômeno. Não se ganha o prêmio apenas por um artigo, mas sim por toda uma vida de trabalho.
Um abraço
Adilson
Adilson,
ResponderExcluirAproveito para sugerir que você, se possível, aproveite para relatar algo sobre o "estado da arte" cá no Brasil. Na minha cabeça não entra explicação para o fato de que - tendo a 2ª maior fábrica da IBM, em Sumaré - o Brasil possa ter deixado criar um gap tecnológico tão grande na área da informática (sim... eu sei dos governos militares e a bendita "reserva de mercado"...)
Olá João Carlos,
ResponderExcluirEssa semana escreverei sobre o tema na minha coluna no Ciência Hoje-on-line, que também sempre aparece aqui.
Um abraço
Adilson