sexta-feira, 31 de julho de 2009

International Conference on Magnetism - Karlsruhe - Alemanha

Quarto, quinto e sexto dia:
29, 30 e 31 de julho.

Infelizmente não consegui postar nos dias anteriores, mas talvez os fatos mais interessantes foram algumas comunicações sobre novos materiais que exibem o efeito magneto-calórico, que ocorre a partir da ação de campo magnético um determinado tipo de material pode esfriar. Como isso literalmente pode ser usado como geladeira, há bastante interesse tecnológico para esses materiais.

Outro assunto interessante, e cada vez mais presente nesse tipo de conferências são o materiais da spintrônica, a eletrônica de spins, na qual deseja-se manipular informações utilizando tanto a carga como o spin do elétron (veja a coluna na ClickCiência). Mas, pela primeira vez eu vi um argumento interessante para a spintrônica, o fato que essa nova tecnologia ser "eco friendly" (algo como amigável do ponto de vista ecológico). Essa vantagem "ecológica" vem do fato que dispositivos spintrônicos deverão ter um consumo de energia mais baixo, pois muitas operações lógicas podem ser realizadas apenas manipuladon o spin, e não a carga do elétron. Qualquer pessoa que já trabalhou com um notebook no colo já percebeu o quanto eles esquentam. A maior parte do calor é gerado justamente pelo processador.

Uma das melhores palestras da conferência foi sobre um trabalho recentemente publicado na revista Science sobre a produção, pela primeira vez, de um monopolo magnético. Todos nós conhecemos que um ímã sempre apresenta dois polos magnéticos (norte e sul). Quando quebramos um ímã não conseguimos separar os polos, pois cada pedaço fica sempre com os dois polos. Mas dessa vez, o que foi obtido é um defeita na superfície de um materaial especialmente preparado, de forma a levar a formação de polos magnéticos separados.

Na seção final foi anunciado onde será a próxima ICM - Será na Corea do Sul, em julho de 2012, em Basan. Quem sabe me animo para ir até lá também.

Hoje terminou a conferência, mas a minha viagem ainda não. Amanhã embarco para Paris para ficar uma semana, mas não totalmente de férias. Estarei lá com o meu estudante de doutorado, que faz um estágio na França. Aproveitaremos os dias para discutirmos alguns assuntos, em particular sobre materiais óxidos magnéticos que ele está estudando aqui. Vou continuar o diário científico da viagem.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

International Conference on Magnetism - Karlsruhe - Alemanha


Terceiro dia: 28/07/2009

Foi o dia das minhas duas comunicações no congresso. A primeira, na forma de poster, foi sobre o trabalho de mestrado do meu estudante Alexandre J. Gualdi, que realizamos em conjunto com o Fábio Zabotto e a Profa. Ducinei Garcia do DF/UFSCar. Tratam-se de materias muti-ferróicos, que são materias que ao mesmo tempo tem propriedes elétricas e magnéticas. No nosso caso. é uma mistura de dois materias distintos. Uma ferrita (que é magnética) e um ferroelétrico (material que gera eletricidade a partir da aplicação de pressão). Os resultados que apresentamos são sobre a observação do efeito magnetoelétrico que aparece devido a pressão que a ferrita faz no ferroelétrico devido a um fenômeno físico conhecido como magnetostricção
(quando um campo magnético é aplicado em ferritas elas expandem/contraem).

A mnha segunda apresentação foi sobre um tema que anda muito na moda que são as transições de fase quânticas. Uma transição de fase muito comum que todos conhecemos é a transição da água do estao líquido para o sólido e vice-versa. Esse fenômeno ocorre devido aos efeitos de temperatura. Numa transição de fase quântica, observamos efeitos de transição de fase que não são devidos à temperatura, mas as flutuações quânticas, que no caso do material que estudamos, se deve a introduzir um novo elemento na liga de Cr-Ti.
Foi uma apresentação oral e várias perguntas surgiram. Em particular, os nossos resultados são feitos com técnicas convencionais de laboratório e a maioria dos outros apresentados são realizados utilizando-se grandes instalações.
Sobre isso comento mais logo a seguir.

International Conference on Magnetism - Karlsruhe - Alemanha

Segundo dia: 27/07/2009

A conferência teve início de fato. Houve a entrega da Medalha Louis Néel para o pesquisador Stuart Parking da IBM. Ele recebeu o prêmio devido a sua contribuição no desenvolvimento dos dispositivos de gravação magnética que atualmente utilizamos nos computadores. Muitos acham que ele deveria ter ganhado o Prêmio Nobel junto com o Albert Fert e Peter Grünberg, mas como dizem também, ele ganhou o dinheiro, pois a patente desse dispositivo rendeu muito. Na palestra que ele deu ele vez uma proposta ousada. Afirmou que atualmente com os dispositivos de gravação magnética tridimensionais (gravam não somente sobre as superfícies, mas também na direção vertical) tem a mesma capacidade de armazenamento de informações de um cérebro de rato e alguns anos atingiriam a capacidade do cérebro humano. Seria como ter um "cérebro na caixa" (expressão dele).
Houveram também as palestras dos dois prêmios Nobel, Fert e Grünberg. O primeiro falou sobre as pesquisas que ele desenvolve, principalmente sobre a aplicação de altas frequências em dispositivos magnéticos. O segundo, infelizmente muito idoso e com problemas de saúde, dei uma palestra sofrível e apenas falou sobre as aplicações dos dispositivos de magnetorresitência gigante (lembrando inclusive que estes são usados nas sondas marcianas). Fiquei até com pena dele, mas como a conferência é na Alemanha e ele é o último prêmio Nobel da Alemanha e da área da conferência, eu acho que valeu como uma homenagem. Provavelmente na próxima conferência, em 2012, ele não participará.

No dia 27 ainda teve a apresentação do Prof. Sérgio Rezende, que é Ministro da Ciência e Tecnologia, sobre o recente trabalho que ele publicou sobre o comportamento de ondas magnéticas de spins (como se fossem ondas de som que se propagam em um sólido). A questão interessante é que ele como minstro continua com atividade científica de alto nível (por esses motivo que ele foi convidado para falar sobre esse trabalho). Com certeza ele é o único ministro que está participando realmente como cientista.

domingo, 26 de julho de 2009

International Conference on Magnetism - Karlsruhe - Alemanha

Primeiro Dia: 26/07/2009

Da mesma maneira que fez na ICM 2006 realizada em Kyoto, no Japão, vou tentar fazer um relato diário das coisas mais interessantes que serão apresentadas aqui na Alemanha.
Hoje não teve de nada de importante, apenas o coquetel de recepção. Mas amanhã cedo começa para valer, com a conferência dos dois ganhadores do prêmio Nobel de Física de 2007, Albert Fert e Peter Grünberg, pela descoberta da magnetorresistência gigante e deu origem a spintrônica. As palestras deles serão sobre esse tema. Também haverá a do Stuart Parking, que talvez devesse ter ganhado o prêmio, pois foi ele na IBM que transformou esse efeito em aplicações tecnologicas, como é o caso das cabeças leitoras dos discos rígidos presentes em todos os computadores atuais.

As minhas apresentações serão na terça-feira. Estou apresentando um trabalho sobre transição de fase quântica em ligas de Cr-Ti e outro sobre as propriedades magnéticas de materiais multiferróicos. Sobre esses assuntos escreverei na terça-feira.

Mas em todas essas conferências é interessante não somente os lugares legais que podemos conhecer, como é o caso de Karlsruhe, mas também é sentir que estamos fazendo parte da fronteira do conhecimento, no meu caso, na área de magnetismo.



Comentem, por favor.

sábado, 25 de julho de 2009

Produtos Naturais - A nova edição da ClickCiência


Entrou no ar nessa semana a 16a. edição da ClickCiência que discute a Química dos produtos naturais, com uma abordagem diferenciada.
Vejam o editorial abaixo e acessem a nova edição.

Química inspirada na Natureza

Há muito tempo o Homem apropria-se da Natureza com o objetivo de tornar sua vida melhor, ou seja, o meio natural sempre foi um grande aliado do ser humano na busca por melhor qualidade de vida.

A perspectiva positiva dessa aliança Homem-Natureza ganha força à medida que a Ciência e a Tecnologia avançam e novas técnicas de identificação, transformação e utilização dos recursos naturais - como animais, plantas, minérios etc. - tornam-se acessíveis às comunidades de pesquisa.

Nesse cenário, procedimentos químicos, como a síntese de produtos naturais, configuram-se como um poderoso instrumento através do qual o Homem se volta para a Natureza, investigando-a e procurando entendê-la, estuda o seu funcionamento e a composição das substâncias naturais, no intuito de descobrir a partir delas novas possibilidades de produtos úteis à alimentação, à medicina, à agricultura e a outras inúmeras áreas de interesse humano.

Isto é, o Homem se inspira na Natureza e, através da Química, constrói compostos em laboratórios que se transformam em remédios para as doenças que aterrorizam a Humanidade; substâncias capazes de alterar as características dos alimentos - durabilidade, cor e forma - e um sem número de combinações de grande interesse social, cultural e econômico.

Mas como a Química trabalha com os produtos naturais e quais são as técnicas de pesquisa mais produtivas e promissoras? Como, a partir de uma planta, surge um novo medicamento? Até hoje, quais são as maiores contribuições da Química para a qualidade de vida do Homem? E quais os maiores desafios dos pesquisadores?

Foram estas e outras questões que nos motivaram a trazer como tema para a 16a edição da ClickCiência a Química dos Produtos Naturais. Ao longo das reportagens, o leitor poderá conhecer esta área da Ciência e suas ramificações - como a Química Medicinal e a Ecologia Química -, aprender sobre os processos laboratoriais específicos e descobertas de cada uma delas, ficar por dentro de como elas já beneficiaram a Humanidade e tirar suas próprias conclusões sobre a íntima relação entre a Química e a Natureza.

Também nesta edição, a presidente da Sociedade Brasileira de Química fala sobre o atual cenário das pesquisas na área no Brasil e sobre quais são os desafios para o químico do futuro.


Boa leitura.Fim do editorial

segunda-feira, 20 de julho de 2009

O luar que nos fascina

Hoje, 20 de julho de 2009 faz 40 anos que o homem pousou na Lua. Na coluna abaixo falo um pouco sobre a influência da Lua sobre nós

Coluna Física sem mistério
Publicada no Ciência Hoje On-line

“Não há, ó gente, oh não
Luar como este do sertão..."
(Catulo da Paixão Cearense e João Pernambuco)

A Lua brilhando no céu em uma noite limpa proporciona uma imagem que enche nossos olhos e desperta a imaginação. Infindáveis versos, poesias, músicas e declarações de amor já foram escritos inspirados no luar. Quando não temos a Lua no céu, as noites ficam mais escuras e as estrelas, mais visíveis. Mas, como propaga o verso citado acima, o luar é sempre a visão mais marcante no firmamento.

O fascínio pela Lua estimulou o imaginário popular a atribuir a ela influências mágicas. Todos já ouvimos falar que, quando há mudança nas fases da Lua, ocorre o nascimento de bebês. Cabelos cortados ou árvores podadas na Lua minguante, por exemplo, enfrentam dificuldade para crescerem novamente. Por outro lado, se o corte (ou poda) for feito na Lua cheia, o efeito é o contrário. Além disso, a Lua aparece com destaque nas previsões astrológicas. Quando a Lua passa em frente a uma determinada constelação, segundo a astrologia, pode indicar problemas (ou soluções) para as pessoas de um determinado signo.

Entretanto, todos esses mitos e crenças não têm qualquer fundamento científico. Sobre a validade da astrologia, esse tema já foi discutido anteriormente na coluna de junho de 2007. Atribuir à Lua qualquer efeito sobre os nascimentos dos bebês e os cortes de cabelos e árvores é algo que também não tem respaldo científico. Em ambos os casos, talvez o surgimento dessas falsas ideias esteja associado à principal e verdadeira influência da Lua sobre a Terra: a gravidade.

O efeito da gravidade
O conceito da gravidade foi proposto justamente para explicar o movimento da Lua ao redor da Terra. A gravidade é uma das forças fundamentais da natureza e está presente em todo o universo. É essa força que nos mantém presos ao solo, bem como a Lua em volta da Terra.

A descoberta da gravidade é atribuída a um evento – que pode nem ter acontecido de fato, mas se tornou lendário: a observação que o físico inglês Isaac Newton (1643-1727) fez da queda de uma maçã madura de um pomar em uma fazenda em Woolsthorpe, no interior da Inglaterra, no ano de 1666. Ele propôs que a mesma força que atrairia a maçã também atuaria sobre a Lua.

Mas esse satélite natural não cai sobre nós porque a aproximação ocorre simultaneamente ao seu movimento ao redor da Terra. À medida que a Lua “cai”, sua movimentação faz com que a superfície da Terra se afaste devido à curvatura do nosso planeta. A gravidade, nesse caso, é como um cordão prendendo uma pedra que gira rapidamente. Se cortarmos o cordão, a pedra escapa, da mesma forma que aconteceria com a Lua, caso a gravidade não atuasse sobre ela.

Outra questão muito importante explicada por Newton foi o princípio de ação e reação, segundo o qual qualquer força aplicada em um corpo sofre uma reação contrária de igual intensidade, mas de sentido oposto. Assim, a Terra atrai a Lua e a Lua também atrai a Terra, com a mesma intensidade.

Contudo, as dimensões da Terra e a distância média entre nosso planeta e a Lua não podem ser desprezadas ao se avaliar essa força. O diâmetro da Terra é de aproximadamente 13 mil quilômetros e a distância entre Terra e Lua é de cerca de 380 mil quilômetros. Dessa maneira, a ação da força gravitacional da Lua sobre o lado da Terra mais próximo a ela é maior que a força sobre o lado oposto. Esse efeito é conhecido como efeito de marés.

A maioria das pessoas já observou que o nível do mar sobe nas praias quando a Lua está no céu. Esse fato deve ter estimulado a crença de que os bebês no útero materno sofrem ação lunar e que os fluidos do corpo humano e das árvores também são atraídos pela Lua. Contudo, os efeitos de maré somente são relevantes para a Terra. Basta lembrar que não observamos a água subir em uma piscina quando a Lua está passando no céu.

O sonho da viagem à Lua
Atingir a Lua sempre foi um sonho humano antigo. No romance de Júlio Verne Da Terra à Lua (1865), os viajantes conseguem chegar à Lua usando um canhão gigante que atira um módulo. Mas esse meio não seria muito viável para executar essa viagem fora da ficção. Somente no dia 20 de julho de 1969, há 40 anos, o homem pousou na Lua pela primeira vez. Para o feito, foi usado o módulo Eagle (que significa águia, em inglês), acoplado à espaçonave Apollo 11.

Para realizar essa viagem, a tecnologia utilizada nos foguetes e nas espaçonaves é também baseada no princípio da ação e reação. Os motores dos foguetes usam oxigênio e hidrogênio líquidos como combustíveis. Quando os componentes do combustível reagem na câmara de combustão, o gás resultante é expelido para trás em alta pressão. De acordo com o princípio da ação e reação, o foguete é impelido para frente. À medida que se esgota o combustível, os módulos vazios são ejetados, o que ajuda na propulsão do foguete. O foguete Saturno V, usado para lançar a Apollo 11, tinha 110 metros de altura e pesava mais de 3 mil toneladas.

Após o pouso da Apollo 11 na Lua, apenas mais cinco missões a esse satélite natural foram realizadas com sucesso. A última visita foi feita em dezembro de 1972 pelos astronautas da Apollo 17.

A ida do homem à Lua foi um dos maiores feitos do século 20. A viagem realizada, se considerarmos as dimensões do Sistema Solar, foi apenas um pequeno passo. Em comparação com as dimensões terrestres, foi como atravessar apenas 12 metros do Canal da Mancha (braço de mar que separa a Grã-Bretanha do norte da França), que tem em sua parte mais larga 240 quilômetros.

Em termos de navegação espacial, apenas molhamos os pés no oceano cósmico. Contudo, existe a perspectiva de que uma nova viagem tripulada à Lua seja feita nos próximos 10 anos e, depois, uma tentativa de chegar até Marte ainda no século 21. Nos novos mundos que a humanidade ainda irá explorar, certamente existirão outros astros brilhando nos céus. Mas talvez não haja uma lua tão bonita quanto a que ilumina o nosso sertão.



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A coluna Física sem Mistério é publicada na terceira sexta-feira do mês pelo físico Adilson J. A. de Oliveira, professor da UFSCar


sábado, 11 de julho de 2009

A polêmica da Plataforma Lattes

Nessa semana foi divulgado o aparecimento de currículos falsos na plataforma Lattes do CNPq. Essa plataforma é um banco de currículos com mais de 1 milhão de registros e é utilizado pelo CNPq e pela maioria das agências de fomento à pesquisa como referência de currículos de pesquisadores.

A brincadeira de mau gosto foi feita com a inclusão um currículo com o nome de Galvão Bueno, o locutor esportivo da Rede Grlobo, no qual aparecia, por exemplo, informações sobre a titulação: "graduação em Medicina pela Universidade Federal de São Paulo (2001), mestrado em Engenharia eletrônica - MIT - Massachusetts Institute of Technology (2004) e doutorado em Física - California Institute of Technology (2006). Atualmente é narrador da Rede Globo de Televisão. Tem experiência na área de Educação Física, com ênfase em Futebol."

A informação apareceu primeiramente no Boletim da Sociedade Brasileira de Física, por meio de um comunicado do Prof. Paulo Murilo Castro de Oliveira, professor da Universidade Federal Fluminense. Depois a notícia foi veiculada no jornal Folha de S.Paulo. Nessa mesma semana o jornal O Estado de S.Paulo informou que o Currículo Lattes da Ministra da Casa Civil Dilma Roussef, continha informações falsas, como ela fosse doutoranda, mas de fato o seu doutorado foi interrompido. No momento as informações no CV Lattes já estão corrigidas.

No dia (11/07/2009) na Folha de S.Paulo, os artigos dos professores Rogério Meneghini e Roberto Romano (disponível para assinantes) fizeram um interessante contraponto sobre essa discussão: A Plataforma Lattes é confiável?

Do meu ponto de vista sempre houveram fraudes meio científico e ainda vão continuar acontecendo. Discuti em um antigo texto nesse blog (A ciência também é humana), sobre as fraudes que os pesquisadores Woo-Suk Hwang (que fraudou resultados sobre a clonagem humana) e Jan Hendrick Schön (que havia publicado 16 artigos entre 1999 e 2001 que mostravam resultados sobre transistores feitos a partir de uma única molécula e supercondutividade em esferas de carbono). Nesses dois casos citados, os resultados foram publicados nas mais prestigiosas revistas científicas do mundo como Nature, Science e Physical Review Letters (a mais importante na área da Física). O que faz com que essas fraudes apareçam é que uma descoberta científica falsa, em um determinado momento, será desmascarada, pois não conseguirá ser reproduziada.

Mas no caso dos currículos falsos na Plataforma Lattes?

Novamente, quem cabe zelar por isso também devem ser os próprios pesquisadores. Quando fazemos a análise de um projeto de pesquisa e consultamos o CV Lattes é preciso olhara mais que os números. É fácil apenas fazer a contagem de número de papers ou de alunos orientados. É importante ir além. Ver se a história ali contada faz sentido e é coerente.

Nesse sentido, concordo com o comentário do Prof. Meneghini: "Fraudes ocorrem no mundo acadêmico. Um trabalho científico pode ter um texto contundente, preciso e relevante, mas é difícil avaliar as fraudes de dados. Se esse for o caso, é muito provável que os resultados de outros pesquisadores não reproduzam os achados e conclusões do fraudador." No caso das informações do Lattes, além do esforço do CNPq em certificar algumas informções, como artigos e números de citações, é necessário também a vigilância e ética dos assessores ao avaliarem os currículos.


No site do CNPq há uma nota respondendo alguns dos questionamentos que vem surgindo a respeito da plataforma Lattes, que leva esse nome em homenagem a um dos maiores cientistas brasileiros, César Lattes.