sábado, 3 de julho de 2010

A difícil tarefa de fazer Ciência no Brasil

Para muitas pessoas o trabalho do cientista consiste em apenas fazer pesquisas. Estar em uma escrivaninha pensando na solução de problemas complexos ou enfiado em um laboratório realizando experimentos a procura de uma nova descoberta. Mas, na realidade, as coisas são mais complicadas. No caso do Brasil, a maioria dos cientistas são professores universitários que além de fazer as pesquisas tem que dar aulas para graduação e pós-graduação (que é muito bom), mas tem muitas atividades administrativas.
Para tocar as pesquisas são necessários financiamentos, que são concedidos pelas agências governamentais, que são analisados pelo mérito acadêmico. Ter um projeto de pesquisa aprovado é sempre muito gratificante.


Mas a alegria de ganhar verbas para pesquisa pode se tornar um pesadelo. Além das rigorosas prestações de contas, que são auditadas pelas agências de fomento, feitas por pessoas que são ótimos auditores, mas não conhecem nada da prática da ciência. Por exemplo, para um auditor a compra de preservativos pode sugerir que o pesquisador está gastando o dinheiro do projeto para uso próprio, mas preservativos (especialmente os sem lubrificantes) são ótimos para proteger materiais quando compactados em meios líquidos.



Na Folha de S. Paulo de hoje (03/07/2010) tem a notícia que o CNPq não vai mais fazer as importações de insumos de pesquisa e equipamentos. Desde 2004 o CNPq teve o sistema chamado de "Importa Fácil" em parceria com os Correios para facilitar a compra de materiais no exterior. Esse sistema não era muito amigável e levava o pesquisador a correr atrás de muita burocracia. Agora, sem esse apoio, as universidades terão que fazer esse trabalho. O grande problema é que as universidades não tem estrutura para isso. Os pesquisadores que trabalham com a importação de material biológico terão grandes problemas.

Sem dúvida é necessário ter rigor com o gasto do dinheiro público, mas também é necessário que a burocracia não cause entraves. Nem todos os pesquisadores tem vocação para serem burocratas ou contadores (eu já fui contador!!!)

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