terça-feira, 29 de abril de 2008

Os biocombustíveis e a fome no mundo

Nos últimos dias muitas notícias circularam em relação ao problema do aumento dos preços dos alimentos em todo mundo. Em particular, muitos organismos internacionais, como a própria ONU, está criticando os países, como o Brasil e os Estados Unidos, por utilizarem áreas agriculturáveis para produzir cana-de-açúcar (Brasil) e milho (EUA) para a produção de biocombustíveis.

Um dos problemas apontados é que o consumo de alimentos tem aumentado em uma proporção maior do que a capacidade de produção. Por exemplo, hoje foi veiculada a notícia que o consumo de arroz excede a atual produção, havendo o risco de mais de 1 bilhão de pessoas ficarem desnutridas.

Nesse sentido, alguns organismos internacionais estão indicando que deveria-se fazer uma moratória na produção biocombustíveis para aumentar a área plantada, principalmente de grãos. Contudo, no Brasil em particular, apenas 2 % da área agriculturável é utilizada na produção de cana-de-açúcar para álcool.

Será que o problema é realmente esse?

Nesse sentido, há um ano atrás lançamos uma edição da Revista de Divulgação Científica ClickCiência sobre os biocombustíveis. Em particular, vejam as reportagens feitas pela competente jornalista Samira Mafrinato que produziu várias edições da ClickCiência.

Matérias primas e subprodutos - sobre biodiesel
Bioinovação - sobre as possibilidades da soja e da cana-de-açúcar

É paradoxal a situação que esse começo de milênio que estamos vivendo. Depois de tantos avanços tecnológicos, podemos voltar a passar fome.

O que devemos ter em mente é que o grande problema é que o nosso padrão de consumo é insuportável para os atuais meios de produção, principalmente os que agridem o ambiente de forma muito nociva. Em entrevista exclusiva para a ClickCiência, o Professor José Goldemberg discute um pouco sobre o problemas de outras alternativas. Vale a pena conferir.

visitem a CLICKCIÊNCIA

8 comentários:

  1. Não se pode colocar no mesmo "saco" o etanol da cana e do milho. O etanol da cana é bem mais eficiente do ponto de vista energético, enquanto o etanol do milho nos EUA funciona mais no sentido de substituir importações de petróleo por carvão, muito usado nas usinas de etanol por lá.

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  2. Caro Alexandre,
    Sem dúvida são duas formas diferentes de se produzir etanol. NO caso do milho o rendimento energético é muito menor do que o da cana (mais ou meno um fator 8).
    A indústria do petróleo aproveita para fazer uma pressão nessa nova concorrência.

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  3. O caso é que estão (como sempre) misturando "laranjas" com "bananas", porque todas são frutas... Uma coisa é o encarecimento dos alimentos: diversos fatores contribuem para isso, inclusive os preços dos combustíveis fósseis usados para mover o maquinário agrícola, as bruscas variações climáticas (em parte atribuíveis ao consumo dos combustíveis fósseis) e - last, but not least - à inflação monetária que assola os países desenvolvidos que se meteram em guerras (de caráter duvidoso) e criaram uma "bolha de consumo" artificial. Para esses países diminuir a produção de grãos destinados ao consumo direto e às rações animais, não é um bom negócio. Principalmente se continuarem a gastar que nem alucinados na geração de energia elétrica.

    Para os países tradicionalmente agrícolas que exportam seus excedentes de produção, os bio-combustíveis podem até ser um excelente negócio, se forem capazes de não se deixar contaminar pela demanda desenfreada e se esquecerem a produção voltada para os alimentos.

    É claro que o pecuarista suíço, que mantém suas vaquinhas estabuladas por metade do ano, se alimentando de rações cujo preço disparou por conta das razões acima citadas, vai reclamar da "concorrência desleal" de quem cria suas vacas no pasto.

    Então, são dois poderosos lobbies que estão provocando essa gritaria sem sentido: os exploradores de combustíveis fósseis (notadamente as petrolíferas) e os agricultores do 1° mundo, mal acostumados por seus governos a não enfrentarem a concorrência internacional. A estes se juntam os "advogados" da geração de energia por centrais nucleares (como se os minerais radiativos não fossem também uma fonte não-renovável de energia e seus dejetos não fossem extremamente difíceis de manejar com segurança).

    Mas - de uma forma ou de outra - as soluções não passam apenas pela produção de bio-combustíveis: passa, obrigatoriamente, pela redução do desperdício de energia.

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  4. Caro João Carlos,
    Concordo plenamente com o seu comentário. Sem dúvida existem muito interesses em jogo nessa história dos biocombustíveis. A solução passa por encontrar maneiras eficientes para resolver o desperdício e a eficiência no consumo de energia.
    Um abraço
    Adilson

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  5. Adilson,

    perdoe meu cabotinismo, mas eu encontrei uma matéria na "Newsweek" que fala exatamente sobre este assunto e publica a opinião de seis "líderes mundiais! sobre o assunto. Eu não resisti a tentação de traduzir a matéria e acrescentar minhas opiniões sobre as opiniões alheias. Se interessar a alguém, lá vai o link: Como alimentar o mundo.

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  6. Clarissa9:18 AM

    Os bons preços garantidos pela demanda aquecida e a política de isenção fiscal fez com que muitos produtores de feijão substituíssem suas culturas pelo plantio de cana-de-açúcar, para a produção de biodiesel e etanol. O que diminiu a área de plantio e fez com que os preços dos alimentos subissem.
    Abraços, Clarissa

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  7. Anônimo3:12 PM

    muitoo bom essa reportageem'
    me ajudoou a esclarecee muitas coisas .

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  8. Obrigado pelo comentário
    Um abraço
    Adilson

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