terça-feira, 18 de julho de 2006

A produção científica brasileira aumenta

Hoje a Folha de S. Paulo trás uma matéria sobre o aumento da produção científica brasileira apresentada pela CAPES na reunião da SBPC em Florianópolis. Passamos a responder por 1,8% da produção mundial e estamos em décimo-sétimo lugar. Ainda é pouco, mas o crescimento é devido principalmente ao fortalecimento de uma pós-graduação de alto nível há várias décadas.
Entretanto, a notícia da Folha mostra que o aumento recente foi devido a contribuição principalmente da pesquisa na área médica e que a física deixou de ser a área que mais publica. Do jeito que a notícia foi escrita fica a sensação que a física estacionou e a medicina cresceu. Vale a pena lembrar que a quantidade de doutores na área de física é na ordem de 4.000. Eu não sei quanto são na área de medicina, mas com certeza é bem maior que a de física. Segundo a notícia foi um maior rigor na avaliação dos programas de medicina que levaram a um aumento nas publicações. Será que os físicos sempre foram mais rigorosos que os médicos na sua avaliação?

A reportagem da Folha pode ser vista por assinanates neste endereço.

2 comentários:

  1. Adilson,
    a minha impressão é que o dado em discussão é muito maior que a nota da Folha de SP, ou da própria CAPES, ou de outros veículos apresenta, isto é, algumas poucas afirmativas a respeito deste aumento de produção científica geraram mais dúvidas do que certezas... como estas que vc coloca no seu "post": me pareceu um pouco prematuro (ou precipitado?) especular sobre a diferença das contribuições científicas em física e ciências médicas, não há refereência sobre a definição de "ciência brasileira", afinal, o quê é isso? E quão significativo (o valor de 20% não vale...) foi esse aumento - contextualizando com a evolução histórica da prod. de conhecimento científico no Brasil e o que seria esperado considerando-se o "investimento" nessa área (estamos aquém ou além??), e outras questões que exigem um pouco mais de reflexão e não alguns números "pelados".... legal ver vc comentando isso no "blog", é isso aí!
    abraços,
    ana claudia

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  2. Cara Ana Cláudia,
    Você tem toda a razão. A questão da produção científica é algo que não pode se resumir simplesmente a números. Não apenas a produção feita em revistas internacionais contam, pois afinal existe muito conhecimento de caráter local, que não há interesse de se publicar em revistas internacionais, como é o caso de algumas áreas das Ciências Humanas e Sociais, que não entram nessa conta. Além disso, devemos considerar ainda o investimento feito em cada área. Por exemplo, é muito fácil e barato publicar um paper teórico de Física em revista de primeira linha do que um paper experimental. Não sei avaliar a pesquisa na área médica para poder comparar.
    Um abraço
    Adilson

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