terça-feira, 21 de março de 2006

Uma Última Crônica

Publicado no AOL-Educação em 10 de março de 2005

Escrever esse texto, o último a ser publicado neste site, para se despedir não é agradável. Afinal, desde março de 2004, foram 30 oportunidades de utilizar esse espaço para colocar as minhas opiniões e idéias sobre Ciência, em particular sobre a Física e a Astronomia. Espero que elas tenham alcançado os seus objetivos, ou seja, proporcionado uma leitura interessante e prazerosa para a maioria dos internautas. Espero que essas “crônicas” tenham sensibilizado algumas mentes e corações, motivando as pessoas a perceberem que a Ciência é algo maravilhoso e muito instigante e não apenas aquelas fórmulas maçantes que são apresentadas no Ensino Médio.

Quando falei sobre como a Ciência e os conhecimentos são construídos espero ter conseguido transmitir a idéia de que a Ciência nunca estará acabada ou terminada. Todas as verdades são sempre relativas e nunca absolutas. Sempre haverá algo além do horizonte a ser descoberto.

Ao discutir sobre como as coisas funcionam ou sobre como elas são feitas, tentei passar a noção de que muito do que usamos em nosso cotidiano é fruto da extraordinária viagem humana, que já dura milênios: A busca da descoberta e do entendimento da natureza. A utilização desse conhecimento, principalmente nos últimos 100 anos, levou a humanidade a um desenvolvimento sem precedentes, quando comparados a outros períodos da história. Contudo, a grande maioria das pessoas ainda não tem acesso aos conhecimentos gerados pela Ciência, bem como os benefícios que ela pode propiciar. É de fundamental importância estendê-los a todos. Para tal, o primeiro passo é apreciá-la e conhecê-la, mesmo que seja de maneira superficial. Espero que eu tenha conseguido passar isso para vocês.

Nas colunas que discuti sobre os objetos que estão nos céus, a principal motivação foi despertar o interesse em conhecer os segredos do Universo. Conhecer a sua imensidão e perceber o quanto a humanidade pode ser insignificante perante ele é importante para mostrar que somos limitados e que o nosso pequeno planeta azul é de fato uma jóia rara. Entretanto, é maravilhoso também saber que é possível conhecer, pelo menos parcialmente, o Cosmos. Quando discutimos sobre as galáxias que estão a bilhões de anos-luz e sobre eventos que aconteceram há bilhões de anos, temos a sensação de que, embora ainda não possamos navegar pelas estrelas, podemos, como diz Bilac, “ouvi-las e entendê-las”.

Falar sobre o espaço e sobre o tempo foi uma tentativa de trazer para perto do leitor um pouco das idéias do mais importante cientista do século XX. Discutir sobre as teorias de Einstein foi algo muito motivador, principalmente quando se comemorou um século das suas revolucionárias idéias.

Em algumas oportunidades, discuti um pouco menos de Física e me arrisquei em outro campo, o da Biologia. A idéia foi também mostrar que a Física está cada vez mais presente nessa disciplina contribuindo para ampliar os seus horizontes e ajudar a compreender o que é a vida.

A viagem pelo conhecimento é sempre fascinante. A Ciência, como um dos empreendimentos humanos mais bem sucedidos, está cada vez mais presente na nossa vida diária. Ter acesso a esse patrimônio da humanidade, mesmo que apenas parcialmente, é um direito de todos e condição para o exercício da cidadania.

Embora não nos encontraremos mais nesse site, espero que vocês continuem a ter interesse pela Ciência. Continuarei escrevendo no meu blog (www.pordentrodaciencia.blogspot.com) e em breve a UFSCar (www.ufscar.br), a universidade na qual trabalho, estará colocando no ar um site exclusivo para a Divulgação Científica. Lá vocês poderão continuar apreciando (ou desgostando) dos meus textos. As colunas, que daqui alguns dias desaparecerão desse mundo virtual, foram transformadas em textos mais detalhados e logo serão publicadas na forma de um livro, algo palpável e bem material, que embora não tenha o alcance da internet, não desaparece com um simples clique.

Gostaria de agradecer ao pessoal do AOL, que gentilmente sempre publicaram os meus textos, sem jamais apresentar qualquer objeção. Em particular ao Renato Delmanto, que incentivou esse trabalho, e a todos que fizeram com que ele se tornasse real no mundo virtual, em especial a Lílian que esteve cuidando disso nos últimos meses. Finalmente, agradeço a você leitor por ter mandado inúmeros comentários e e-mails a respeito desse trabalho. Até algum dia.

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