quarta-feira, 9 de fevereiro de 2005

As águas do verão
publicado no AOL-Educação em 04/02/2005
http://educacao.aol.com.br/colunistas/adilson_oliveira/0017.adp

Um final de semana chuvoso, como geralmente acontece na época do verão, costuma deixar a maioria das pessoas desanimadas. Reclamamos de ter que ficar em casa, perder as oportunidades de lazer, de não poder curtir a piscina, a praia etc. Algumas pessoas, como eu, não vêem essa situação como sendo ruim, embora os meus filhos detestem esses finais de semanas perdidos. Pode-se aproveitar essas ocasiões para fazer muitas outras coisas, como aproveitar o barulho da chuva batendo no telhado para tirar uma soneca, ler um bom livro, assistir um filme interessante, ou escrever esse pequeno texto para alguns leitores curiosos.
O excesso de chuvas causa contratempos, como as enchentes e inundações, mas a ausência de chuvas é mais problemática. Quando acontecem longos períodos de estiagem pode ocorrer escassez de alimentos em algumas regiões. Uma outra conseqüência é a diminuição do nível das barragens das usinas hidroelétricas, como ocorreu em 2002, quando todos tivemos que racionar o consumo energia elétrica.
A energia produzida nas usinas hidroelétricas é feita a partir da transformação da energia potencial gravitacional da água acumulada em grandes represas – ou seja, da energia que todo corpo adquire ao ser elevado a uma determinada altura. Quando a água desce pela barragem ela movimenta as turbinas, transferindo para elas a energia de movimento (energia cinética) necessária para movimentar os geradores e produzir a energia elétrica.
Além do atendimento às necessidades que temos nos dias de hoje, a existência de chuvas foi fundamental para o surgimento da vida na Terra. Os oceanos e rios foram formados há bilhões de anos quando a temperatura do nosso planeta diminuiu e permitiu a condensação das moléculas de água. Somente após essa época é que sugiram as condições para o aparecimento da vida. Não conhecemos formas de vida complexas que possam existir sem a presença da água. Ao contrário, normalmente onde há água, existe vida.
A água em nosso planeta é uma substância encontrada em grande abundância. Três quartos da superfície da Terra são cobertos pela água. Todas as formas de vida, com raras exceções, necessitam da água em seus processos biológicos. A água funciona como um excelente solvente para a maioria das substâncias necessárias para a vida. Por exemplo, o cloreto de sódio (o sal de cozinha) quando colocado em contato com água se dissolve em íons de sódio e cloro, que são absorvidos e utilizados pelo nosso corpo em muitos processos necessários para a manutenção da vida.
Embora a água seja tão importante para os organismos vivos, a sua estrutura molecular é muito simples. Ela é composta por apenas dois átomos de hidrogênio e de um átomo de oxigênio, que representamos como H2O. A sua estrutura lembra um “V” aberto, com o átomo de oxigênio no seu vértice e os átomos de hidrogênio nas pontas. A ligação química que dá essa forma para a molécula de água é conhecida como “ponte de hidrogênio”, na qual os elétrons que circulam o núcleo dos átomos de hidrogênio são atraídos pelo átomo de oxigênio.
O hidrogênio e o oxigênio são átomos pequenos e isso torna a molécula de água muito leve. Se não fosse “a pontes de hidrogênio” a água, em temperatura ambiente, seria um gás e seria necessária uma temperatura muito baixa para que ela se solidificasse.
A estrutura da sua molécula permite também que, quando congelada, a água apresente um comportamento anômalo. Qualquer líquido ao congelar tem as suas moléculas aproximadas, e como conseqüência, o seu volume diminui e a sua densidade aumenta. Contudo, com a água acontece exatamente o oposto. Quando ela é resfriada a abaixo de 4 0C, a sua densidade diminuí, ao invés de aumentar. Por esse motivo é que o gelo flutua na água. Esse tipo de fenômeno, por exemplo, impede que um lago se congele completamente. Se o gelo fosse mais denso que a água, este se formaria primeiramente na superfície e afundaria, congelando completamente o lago, extinguindo todas as formas de vida que existam ali. Contudo, como o gelo é menos denso, ao se formar ele fica na superfície e funciona como isolante térmico (como os esquimós já descobriram há muito tempo) fazendo com que a água abaixo da camada de gelo fique a uma temperatura maior que o 00C. Essa característica é praticamente exclusiva da água.
Uma das justificativas para as recentes missões espaciais ao planeta Marte é a tentativa de detectar resquícios da presença de água naquele planeta, mesmo que esta tenha existido em um passado remoto. Dessa forma, um dos objetivos é encontrar indícios de vida em Marte. Atualmente não se observa água na forma líquida naquele planeta. Existem evidências que ela possa existir na forma de gelo nos pólos marcianos. Contudo, os resultados indicam que o gelo lá encontrado é gelo seco, ou seja, gás carbônico congelado. Além do planeta Marte, outro lugar que pode existir água é a lua chamada Europa, um dos satélites de Júpiter. Há indicações da presença de um oceano sob uma camada de gelo de quilômetros de espessura.A água é um dos bens mais preciosos em nosso planeta. Abençoadas sejam as chuvas de verão, pois mesmo estragando muitos finais de semana, elas garantem e transformam as nossas vidas.

2 comentários:

  1. Oi, Adilson. Gostei desse texto da água. Vou usar umas partes (um copo!) dele pra fazer umas misturas no meu blog, ok? É um suco leve, nada científico! Vou voltar mais vezes pra ler. Gostei do blog.

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  2. Cara Werneck,
    Obrigado pelo comentário. Logo terei novos texto,
    Um abraço
    Adilson

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