segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Quando encontrei Dumont e Lattes ao caminhar por Paris

A maioria das pessoas conhece o nosso mais famoso inventor: Santos Dumont (1873-1932). Aqui em Paris, onde estou agora, ele fez muito sucesso no começo do século 20, com os seus balões e aviões. O mais famoso é o 14 bis, que ele demonstrou a possibilidade de um dispositivo com densidade muito maior que do ar, levantar voo por conta própria. Já falei sobre isso nesse blog em 2005: "A leveza do mais pesado que o ar". Além disso, o modelo do Demoiselles ficou famoso e inspirou muito os atuais ultra-leves.




César Lattes (1924-2005), que muitos hoje somente conhecem por causa do Currículo, o que é um absurdo, pois ele foi um dos maiores físicos brasileiros de todos os tempos, descobridor de uma partícula elementar, o méson pi. Curiosamente, a descoberta de César Lattes também começou na França. César Lattes, estava trabalhando em 1947  no H. H. Wills Laboratory da Universidade de Bristol, dirigida por Cecil Frank Powell (1903-1969) em Londres, quando teve a ideia de aumetar a quantidade de Boro nas chapas fotográficas que eram utilizadas para a detecção de partículas elementares. Ele entregou algumas dessas chapas para colegas que pretendiam esquiar na França. Ao voltarem para Inglaterra um dos colegas notou as primeiras evidências da partícula que ficou conhecidada posteriormente como  méson pi (ou píon).

 

Mas o que ambos tem  a ver com a minha passagem em Paris? Hoje caminhando na direção do Institute de NanoScience de Paris, que está na região de Bociaut, enquanto ocorre a reforma do campus da Université Pierre et Marie Curie em Jussieu, na Rue de Lourmel dou de cara com a seguinte placa de dois médicos parisienses:




 Provavelmente esses médicos não são parentes de Santos Dumont e César Lattes e nem sabem que têm sobrenomes  de brasileiros famosos. Foi uma extraordinária coincidência topar com essa placa, que leva o nome de pessoas que foram importantes para inspirar  a minha trajetória de vida , principalmente a de cientista, que me leva hoje a fazer  essa caminhada  pelas frias ruas de Paris no outono de 2009.






sábado, 21 de novembro de 2009

Quando será o fim do mundo?

Coluna Física Sem Mistério
publicada no Ciência Hoje On-line em 20/11/2009


Há muito tempo circulam informações – muito antes do advento da internet – sobre uma data específica para o fim do mundo. Muitos povos têm na sua mitologia histórias sobre a criação e destruição do mundo. O livro do Apocalipse, que faz parte da Bíblia, é um desses exemplos. As profecias de Nostradamus, que muito foram lembradas na virada do século passado, também faziam previsões de que no ano de 1999 uma grande guerra poderia destruir a humanidade.

O cinema também costuma explorar esse tipo de história, principalmente porque estimula o imaginário popular em relação a situações que podem ser aterradoras. Um exemplo ocorrido alguns anos atrás foi a série de filmes O Exterminador do Futuro, segundo a qual no dia 27 de agosto de 1997 as máquinas se rebelariam contra o homem e provocariam um holocausto nuclear.


Atualmente, com a estreia do filme 2012, esse tema voltou à tona. Nesse filme, o fim do mundo aconteceria no dia 21 de dezembro de 2012, em concordância com o fato de o calendário maia terminar nesse dia. Eventos ocorridos no Sol levariam a grandes catástrofes naturais e provocariam a inundação e a destruição de grandes cidades, inclusive o Rio de Janeiro. Embora ainda não tenha assistido ao filme – apenas li algumas sinopses –, gostaria de fazer alguns comentários sobre um possível fim do mundo, já que há uma grande propaganda em torno de 2012.

O poder do Sol
De fato, em determinado momento, a Terra deixará de existir. Como se sabe, o nosso sistema solar foi formado há cerca de 4,6 bilhões de anos. Juntamente com os planetas e outros corpos celestes, formou-se o Sol. Este, assim como as demais estrelas, recorre ao processo de fusão nuclear para produzir a energia que permite a sua existência




O Sol tem massa de cerca de 1031 kg (1 seguido de 31 zeros) e é composto basicamente por hidrogênio e hélio (os elementos mais abundantes do universo). No núcleo do Sol, as temperaturas são muito altas, da ordem de milhões de graus centígrados. Isso faz com que os átomos desses elementos estejam totalmente ionizados, o que significa que a matéria está no estado de plasma. Nessa situação, os elétrons que estão ao redor do núcleo do átomo são arrancados das suas órbitas e sobra somente o “caroço” positivo. Essa condição de altíssimas temperaturas faz com que os núcleos desses átomos tenham uma alta energia de movimento (energia cinética) e colidam a todo instante.

Como os núcleos atômicos têm cargas elétricas positivas, sua aproximação gera uma força elétrica repulsiva (cargas de mesmo sinal se repelem). Mas a alta temperatura deixa esses núcleos atômicos com muita energia cinética, suficiente para vencer a força de repulsão elétrica que existe entre os prótons e permitir que outra força fundamental da natureza entre em ação: a força nuclear forte. Essa força, que é atrativa, tem cerca de 200 vezes mais intensidade que a força eletromagnética que mantém os elétrons ao redor do núcleo atômico.

Quando quatro átomos de hidrogênio colidem, eles se transformam em um átomo de hélio. Nessa reação, dois prótons (que são núcleos dos átomos de hidrogênio) se transformam em dois nêutrons e ocorre também a emissão de duas partículas com carga positivas – os pósitrons.


O átomo de hélio e as partículas produzidas nesse processo têm massa menor do que quatro átomos de hidrogênio. Essa diferença de massa é convertida em energia, como previsto pela equação de Einstein E=mc2, na qual 'm' é a diferença de massa e 'c', a velocidade da luz. Como 'c' tem um valor muito grande, uma pequena quantidade de massa equivale a uma enorme quantidade de energia.

A cada minuto 36 bilhões de toneladas de hidrogênio são convertidas em hélio no Sol. Nesse processo, é liberada uma energia equivalente à queima de 8×1020 (8 seguido por 20 zeros) litros de gasolina por minuto, ou mais de 10 milhões de vezes a produção anual de petróleo da Terra.


Eventos catastróficos
Mas um dia a disponibilidade de hidrogênio acabará e o Sol começará a encolher e esfriar. Como consequência desse encolhimento, ocorrerá um aumento da pressão e da temperatura no interior do Sol. Quando a temperatura atingir um valor da ordem de 20 milhões de graus centígrados, os núcleos de hélio começarão a se fundir, o que provocará a formação de núcleos de átomos de carbono.

Quando isso acontecer, o Sol irá se expandir e se transformar em uma estrela gigante vermelha. Essas estrelas são assim chamadas porque aumentam muito em tamanho e a sua parte mais externa esfria em relação à parte central, o que lhe confere a cor vermelha. No caso do Sol, sua superfície alcançará a órbita do planeta Marte, ou seja, o Sol passará a ter aproximadamente 200 milhões de km de diâmetro. Atualmente ele tem cerca de 1.392.000 km.


No dia em que esse evento ocorrer, com certeza, o nosso mundo terá chegado ao fim. Contudo, isso certamente não ocorrerá no dia 21 de dezembro de 2012. O nosso Sol é uma estrela muito estável e ainda levará cerca de 5 bilhões de anos para que ela chegue ao estágio de se transformar em uma gigante vermelha.

Muito antes disso, porém, existe a possibilidade de colisão da Terra com um grande asteroide ou cometa. Nesse caso, estamos falando de uma escala de tempo muito menor do que bilhões de anos. Há fortes evidências, por exemplo, de que um grande corpo colidiu com a Terra há cerca de 65 milhões de anos e levou à extinção dos dinossauros.

A queda de um grande objeto provocaria uma enorme destruição na área do impacto, mas também jogaria na nossa atmosfera grandes quantidades de poeira, o que diminuiria muito a incidência de luz solar na superfície da Terra. O planeta entraria em um longo inverno, que poderia extinguir quase toda a vida. Esse evento é chamado de “inverno nuclear", pois também poderá ocorrer se houver uma guerra nuclear de grandes proporções.


As armas nucleares são como se fossem "pequenos sóis", pois liberam de uma só vez uma grande quantidade de energia, produzida também pelo processo de fusão nuclear, exatamente como ocorre no interior das estrelas. A grande diferença é que, nesse caso, a energia é liberada de forma descontrolada e causa grande destruição, que é o que se espera de uma arma de destruição em massa.

Dessa maneira, talvez seja muito mais fácil a humanidade deixar de existir devido a um evento que ela mesma produza do que a um evento astronômico sobre o qual não temos qualquer controle. Mesmo as explosões de outras estrelas próximas, que também poderiam levar à extinção da vida na Terra, têm probabilidade muito menor de acontecer do que um delírio de uma guerra nuclear. E a humanidade está ameaçada ainda pelos efeitos do aquecimento global, que poderão modificar de forma drástica o meio ambiente.

Apesar de serem mais prováveis, esses eventos podem ser mais facilmente evitados, já que estão sob o nosso controle. Basta apenas termos a devida consciência.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Ouçam o Programa Paideia

Programa Paideia
Toda terça-feira, às 18 horas vai ao ar na Rádio UFSCar o programa Paideia, produzido pelo Laboratório Aberto de Interatividade para a Disseminação do Conhecimento Científico e Tecnológico (LAbI) da UFSCar.

Paideia abordará diversos aspectos da cultura científica e, a cada temporada, será dedicado a um tema específico. Esta primeira edição falará sobre Astronomia, em comemoração ao Ano Internacional da Astronomia, celebrado em 2009.

Além de orientações sobre como observar o céu a cada semana, notícias e do quadro "Pergunte ao Astrônomo" - no qual o ouvinte poderá tirar suas dúvidas ao vivo -, o programa Paideia veiculará quinzenalmente os capítulos da radionovel "Um Universo entre Nós", inspirada em "Diálogo sobre as duas novas ciências", de Galileu Galilei. Outra atração quinzenal é o quadro "Uma Música, um Tema", que traz entrevistas ao som de músicas relacionadas ao tema em debate.
Abaixo os links dos 4 primeiro programas. Se quiser ouvir e participar ao vivo basta ouvir a Rádio UFSCar pela internet pelo link www.radio.ufscar.br todas as terças das 18h00 às 19h00


Paideia 1 - 20/10/2009
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Paideia 2 - 27/10/2009
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Paideia 3 - 03/11/2009
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Paideia 4 - 10/11/2009
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quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Está no ar a 19a. Edição da ClickCiência

Está no ar a nova edição da ClickCiência, na qual estamos abordando a Ciência no Brasil, aproveitando o tema da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia que ocorreu em outubro passado.

Acessem a revista clicando no seu ícone ao lado e boa leituas

 

Editorial

 

É do Brasil!

Desde 2004, o Ministério da Ciência e Tecnologia realiza, no mês de outubro, a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, quando são desenvolvidas diversas atividades em todo o Brasil - como tendas da Ciência em praças públicas; concursos, oficinas e palestras; ida de cientistas às escolas; jornadas de iniciação científica; distribuição de cartilhas, encartes e livros; exibição de filmes e vídeos, dentre várias outras. O objetivo principal é mobilizar a população, em especial crianças e jovens, em torno de temas de Ciência e Tecnologia, incentivando a criatividade, a atitude científica e a inovação.

Em 2009, o tema escolhido para a Semana foi "Ciência no Brasil", com o compromisso de valorização das pesquisas nacionais e dos pesquisadores que trabalham em prol do desenvolvimento do País. Estimulados pelo tema proposto pelo MCT, decidimos dedicar a 19ª edição da ClickCiência a estudos e cientistas brasileiros que destacam o nome do nosso país no cenário mundial da Ciência.

Para tanto, elegemos dentro das grandes áreas do conhecimento quatro pesquisas brasileiras de grande sucesso e visibilidade: os estudos de Paulo Freire em Educação; as contribuições, para a saúde da população brasileira, do "Centrinho" da USP/Bauru, referência nacional em tratamento de fissuras lábio-palatais; a utilização da nanotecnologia aplicada à agropecuária; e as alternativas sustentáveis aos resíduos dos biocombustíveis.

Além disso, você encontra nesta edição um panorama do atual cenário brasileiro de pesquisas, com suas particularidades e desafios; uma entrevista com a professora Márcia Ferraz, coordenadora do Programa de Estudos Pós-Graduados em História da Ciência da PUC/SP, que fala do surgimento e desenvolvimento do fazer científico no Brasil; e uma resenha sobre o livro "Triste Fim de Policarpo Quaresma", de Lima Barreto.

Assim, convidamos você para navegar por nossas páginas, para conhecer melhor o que tem sido feito por pesquisadores brasileiros na tentativa de gerar mais riqueza para o Brasil e mais qualidade de vida para todos nós.Fim do editorial

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Resultado da enquete feita em outubro

Coloquei no mês de outubro uma enquete sobre os visitadores do "Por dentro da Ciência". Houveram aproximadamente 55 respostas e os resultados não foram muito diferentes daqueles obtidos em outras enquetes de blogs.

Os resultados foram os seguintes:

Sexo do visitante:
Masculino: 66%
Feminino:  34%

Esse resultado é idêntico ao que se observa em qualquer pesquisa de acesso de internet.

Escolaridade:
Ensino Fundamental:  20%
Ensino Médio:            30%
Ensino Superior:         33%
Pós-Graduação:          17%

Os resultados mostram uma distribuição praticamente homogênea no perfil de escolaridade, concentrando-se no ensino médio e superior. Normalmente os comentários postados aqui no blog são de pessoas com esse perfil.

Idade:
menos de 18 anos: 50%
entre 19 e 25 anos: 24%
entre 26 e 35 anos: 12%
entre 36 e 45 anos:   8%
mais de 45 anos:       6%

A metade dos visitantes tem menos de 18 anos de idade é compatível com o resultado referente a escolaridade dos visitantes. Os 24% de visitantes com idade entre 19 e 25 anos também é equivalente ao perfil de visitantes com nível superior. De fato, o público que visita esse blog é de jovens.

Como acessou o blog?
via google:              54%
link de outro blog:  13%
indicação:               13%
achou por acaso:     20%

Sem dúvida a maioria dos acessos via o google era um resultado esperado e mostra também que o blog pode ser uma fonte interessante de informações. Muitos comentários postados no blog são de estudantes procurando respostas a questões de pesquisas escolares ou a procura de informações sobre temas relacionados com os conteúdos do ensino médio e fundamental. Os acessos devidos a links e indicação já são dos chamados "blogueiros" que costumam navegar por vários blogs.

Gostaria de agradecer a todos que responderam. Os resultados são muito animadores e me estimulam a continuar com o nosso blog.
Recentemente descobri que o meu blog foi um dos primeiros aqui no Brasil na área de ciência e está no ar desde dezembro de 2004. Em dezembro estaremos comemorando 5 anos de posts, comentários e interessantes discussões.