segunda-feira, 26 de março de 2007

Novamente sobre a ida para a Lua


A edição de hoje da Folha de São Paulo publica uma entrevista com o ex-engenheiro chefe do JPL (Laboratório de Propulsão à Jato) Brian Muirhead, que esteve envolvidos nos principais projetos da NASA nos últimos anos. Nessa entrevista ele comenta sobre vários assuntos, em particular sobre a volta de astronautas para a Lua em 2015. Um dos problemas é, sem dúvida, a garantia de orçamento, pois será necessário desenvolver um novo foguete lançador e a própria espaçonave para a viagem. Uma das justificativas dessa empreitada é também desenvolver tecnologias necessárias para a viagem até Marte. É claro que também existem as justificativas científicas para uma viagem tripulada para a Lua, pois embora as missões robóticas sejam mais baratas elas não conseguem, ainda, ter a mesma eficiência do que um cientista trabalhando in-loco.
Um dos pontos mais interessantes da entrevista, na minha opinião, foi a resposta de Murihead a pergunta sobre o fato que embora a exploração espacial é um empreendimento caro, na época das missões Apollo, argumentava-se que elas gervam como subprodutos tecnologias que eram aproveitadas em laboratórios e fábricas na Terra. O jornalista perguntou se isso ainda acontece. A resposta de Muirhead foi:

"Não. Acho que hoje não é mais como na época da Apolo. A exploração espacial não está mais liderando a tecnologia como naqueles dias. As aplicações comerciais é que estão guiando a tecnologia agora, e nós é que estamos tentando usar boa parte delas. Mas hoje, nós do "ramo" da exploração -que oferece algo que ninguém mais faz- criamos uma oportunidade única para engajar as pessoas e dar estímulo a elas para se tornarem engenheiros e cientistas. Achar coisas novas e ir para novos lugares faz parte do espírito humano. Acho que essa, na verdade, é nossa grande contribuição."

Achei esse argumento muito interessante, pois ele remete a importância de se fazer ciência básica. Incentivar as pessoas a fazerem descobertas e se tornarem pesquisadores altamente competentes. Esse é, sem dúvida, um dos maiores retornos que esse tipo de pesquisa dá. Formar pessoas estimulando-as a resolverem desafios inusitados. Aqui no Brasil, quem trabalha com Ciência sabe o quanto é preciso justificar as aplicações tecnológicas imediatas de pesquisa básica, ou quanto se cobra que as universidades desenvolvam prioritariamente tecnologia. O papel fundamental da ciência básica é formar gente. Esse é o bem mais valioso que uma nação pode ter.

Quem quiser ler a entrevista completa ela está nesse endereço, infelizmente, apenas para assinantes:






sexta-feira, 16 de março de 2007

Sonhos de um jovem visionário

Coluna Física sem mistério
Publicada no Ciência Hoje On-line
16/03/2007

A maneira de entendermos o mundo em que vivemos se altera com a passagem do tempo. Quando somos crianças, imaginamos um mundo mágico, no qual esperamos que muitas de nossas fantasias se tornem reais. À medida que crescemos e chegamos à adolescência, tomamos mais contato com o mundo real. Algumas das fantasias se mostram impossíveis e outros sonhos surgem. Dependendo dos estímulos e recursos do meio no qual convivemos, podemos ter grandes sonhos ou pensar apenas naquilo que nos é mais imediato. Nessa fase, alguns acreditam que podem mudar o mundo com suas idéias. Ao se tornarem adultos, descobrem que a maioria delas é impossível de se concretizar. No entanto, certos indivíduos conseguem, realmente, transformar o mundo com suas idéias.

os 16 anos de idade, um jovem que ainda não tinha completado o ensino médio tinha perguntas e idéias que, do ponto de vista de alguns professores, perturbavam a disciplina da classe. Fora recomendado a ele deixar a escola, pois provavelmente nunca seria nada na vida. Procurando um ambiente mais livre para pensar, mudou de escola e teve mais liberdade para refletir sobre alguns temas que, um dia, iriam revolucionar o mundo. Foi uma revolução silenciosa, mas que ecoará para sempre em toda a história da humanidade.

Esse jovem, como nos conta em sua autobiografia, ao ter contato com um livro de popularização da ciência, ficou fascinado com uma das primeiras informações que ali encontrou. Ele descobriu que a luz viaja pelo espaço com a velocidade incrível de aproximadamente 300.000 km/s (ou 1,08 bilhão de quilômetros por hora). Uma pergunta surgiu em sua mente: como seria o mundo se pudéssemos viajar em uma onda de luz?

A solução para esse questionamento levou quase 10 anos para ser respondida, por ele mesmo. Na época, o jovem começou a responder essa pergunta imaginando que não podemos dizer que estamos em uma onda de luz se viajarmos junto com ela. Uma onda é uma perturbação de alguma grandeza que se propaga no espaço e é periódica no tempo. Se estivermos na crista da onda, permaneceremos nela e não teremos a noção de que estamos na onda.

Uma solução relativa
Podemos entender a luz como uma onda formada pelos campos elétricos e magnéticos que oscilam periodicamente no tempo se propagando no espaço. Se viajássemos junto com ela, esses campos nos pareceriam estáticos, pois estaríamos viajando com a mesma velocidade e teríamos a sensação de que eles estão parados. O grande problema é que, na época em que viveu nosso protagonista, a descrição do comportamento das ondas luminosas era feita pelas equações de Maxwell, que não previam esse tipo de comportamento. Viajar na velocidade da luz parece ser problemático.
Muitos dos leitores já descobriram quem é o brilhante jovem a que estou me referindo. Trata-se de Albert Einstein (1879-1955) que, se estivesse vivo, teria completado 128 anos no último dia 14. Em 1905, quando trabalhava em um escritório de patentes na Suíça, ele publicou a solução da questão que o incomodava na adolescência. Com a coragem de fazer propostas ousadas, Einstein propôs que a física conhecida naquela época estava equivocada quando se tratava de corpos se movimentando com a velocidade da luz. No outono de 1905, em 26 de setembro, foi publicada a solução proposta por ele, aos 26 anos. O artigo “Sobre a eletrodinâmica dos corpos em movimento” tornou-se a base da teoria da relatividade especial.

Quanto mais fundamentais e simples são os postulados de uma teoria, mais abrangente ela consegue ser. A teoria da relatividade especial está baseada em apenas dois. Um deles é que as leis da física são as mesmas para todos os observadores em referenciais inerciais – ou seja, referenciais que não estão sujeitos a nenhum tipo de força ou aceleração e, portanto, conservam seu estado de movimento. O outro princípio afirma que a velocidade da luz é constante, independentemente do referencial do observador ou do movimento da fonte que a emite.

Com base nesses fundamentos, o jovem Einstein chegou a uma solução para a dúvida que ele levantara havia mais de 10 anos: nunca conseguiríamos andar junto com a luz, pois ela sempre estaria com a mesma velocidade em relação a nós. A resposta de Einstein levou a mudanças radicais na forma de entendermos a natureza do espaço e do tempo. Antes de Einstein, tanto o espaço como o tempo eram absolutos, ou seja, eram como o palco de um espetáculo, que não se altera com a dinâmica da história. Para Einstein, eles se transformaram nos protagonistas principais da peça da natureza.

Idéia contra-intuitiva
A idéia de que existe uma velocidade limite para o universo, a velocidade da luz, conseguiu resolver o dilema de Einstein, embora nos pareça estranha à primeira vista. É natural observarmos que, se de um automóvel com a velocidade de 100 km/h, arremessarmos uma bola de tênis com a velocidade de 10 km/h no mesmo sentido do movimento do carro, uma pessoa sentada na beira da estrada verá essa bola se mover com velocidade de 110 km/h.

Entretanto, se a situação for a de uma espaçonave viajando a 250.000 km/s (trocamos de veículo, pois um automóvel com essa velocidade é inverossímil demais) lançar um foguete com a velocidade de 100.000 km/s (trocamos de objeto, pois nem o melhor tenista do mundo consegue lançar bolas de tênis a essa velocidade) em relação à espaçonave, segundo a nossa experiência cotidiana, esperaríamos que a velocidade do foguete observada em uma segunda espaçonave parada em relação à primeira fosse de 350.000 km/s. Contudo, o valor que se verificaria é de 274.000 km/s, como previsto pela teoria da relatividade especial.

Outros efeitos interessantes, que o adolescente Einstein sequer tinha imaginado, seriam observados pelo tripulante da segunda espaçonave. Se a primeira tiver o comprimento de 100 metros, quando parada, ao se movimentar com a velocidade de 250.000 km/s, ele observará que ela tem nessa situação 55 metros de comprimento! Se comparar seu relógio com o da espaçonave em movimento, ele observaria que o dela mede o passar do tempo mais lentamente. Esses efeitos não são propriedades da matéria, mas sim do próprio espaço e do tempo. De fato, o que se observa é a contração do comprimento e a dilatação do tempo. Contudo, quem estiver a bordo da espaçonave em movimento não perceberá nada disso, pois esses efeitos são relativos a quem observa (daí o nome teoria da relatividade ).

Seria possível imaginar que os resultados descritos acima são absurdos e que Einstein teve loucos delírios para propô-los (mais louco ainda quem acredita neles!), pois tais resultados contrariam a lógica e o senso comum. De fato, ainda não existe ainda tecnologia para se construir espaçonaves e foguetes que viajem a velocidades tão altas. Contudo, existem máquinas (aceleradores de partículas) que aceleram elétrons ou prótons até velocidades próximas à da luz. Nos experimentos feitos nessas máquinas, verifica-se que essas situações estão de acordo com as previsões feitas pela teoria da relatividade especial.

As idéias que povoavam a mente do adolescente Einstein mostram que nunca devemos perder a capacidade de questionar, pois algumas de nossas perguntas talvez tragam respostas revolucionárias. Como ele mesmo afirmou em 1955: “A coisa mais importante é não parar de questionar. A curiosidade tem suas próprias razões para existir.”

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A coluna Física sem Mistério é publicada na terceira sexta-feira do mês pelo físico Adilson J. A. de Oliveira, professor da UFSCar

Está no ar 4a. Edição da Revista Eletrônica Click Ciência






Estamos lançando hoje a 4a. edição da Revista Eletrônica de Divulgação Ciêntifica Click Ciência. Na edição desse mês o tema principal é sobre a própria Ciência. As reportagens foram construídas a partir das entrevistas com diversos pesquisadores e, a partir delas, é apresentado o tema.
Nessa edição também é apresentada uma entrevista exclusiva com o Prof. Sérgio Mascarenhas do Instituto de Estudos Avançados da USP/São Carlos. O Prof. Mascarenhas é um dos mais importantes físicos brasileiros de todos os tempos e em sua entrevista podemos encontrar um pouco da sua visão particular de entender o mundo e a ciência.

Boa leitura a todos!

Editorial
Publicado em 16/03/2007.


Nanotecnologia, origem da vida, câncer. Esses foram os temas tratados nas edições anteriores desta revista digital que, desde sua concepção, tem o objetivo de reportar assuntos ligados ao meio científico. Mas, o que se entende por ciência? O que não pode ser caracterizado como científico e por quê? A ciência sofre modificações? Esses são alguns dos assuntos que nos propomos a refletir na edição da Click Ciência de março de 2007.

O que é a ciência é o tema da primeira reportagem desta edição: "O saber científico". Nela, pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) descrevem suas visões sobre o sentido da ciência e a de um grande pensador grego, Platão. Relatam os paradigmas que definem, entre outros, a forma de fazer ciência. Também neste texto o leitor encontrará uma breve divisão da história da ciência.

Em "Ciência e sociedade" há uma descrição dos momentos em que as ciências começaram a ser vistas pela sociedade como ferramentas de desenvolvimento e progresso. Pesquisadores relatam esses momentos em três importantes áreas da ciência: física, biologia e química. Entre esses acontecimentos destaca-se a descoberta do potencial de se fabricar antibióticos em larga escala, no século passado. Também descobrirá um dos motivos que ocasionaram o atraso científico brasileiro.

O texto "O não-científico" relata a história da astrologia e os motivos que fazem com que ela não seja caracterizada como um conhecimento científico. E na reportagem "O que mudou na ciência?" o pesquisador da UFSCar Luiz Carlos Gomide de Freitas descreve, na sua visão, as modificações sofridas pela ciência, como na forma de desenvolver o conhecimento científico e no tempo em que as descobertas são realizadas.

O entrevistado do mês é o professor Sérgio Mascarenhas, de São Carlos. Ele é reconhecido como um importante cientista brasileiro e suas descobertas beneficiaram não apenas a pesquisa no Brasil, como também no exterior. Mascarenhas nos dá sua definição de ciência, fala de algumas de suas descobertas, da dinâmica nesta área, dos seus estudos em Hiroshima com a dosimetria. O físico também opina sobre a influência da ciência na sociedade.

Em Artigos o professor Sílvio Renato Dahmen do Instituto de Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul relata a importância da história para a ciência e a influência que ela exerce nas ciências ditas duras: física, química ou matemática. Dahmen também descreve sua visão sobre ciência e, principalmente, da ciência coletiva. Ele separa a chamada “história” da ciência em duas categorias: a história daqueles que fizeram ciência e a das idéias científicas

O leitor também poderá conhecer um pouco mais do mundo do cientista – esse descrito de forma bem distinta do que muitas pessoas acreditam ser. Descobrirá os caminhos que devem ser trilhados para ser um cientista; dos esforços necessários. Em "Quem é o cientista?", o colunista Adilson de Oliveira descreve também o que as pessoas que fazem essa opção, indiferente da área, podem esperar. A colunista Márcia Tait aborda, de forma breve, o significado da palavra tecnociência e sua utilização para designar a produção de ciência e tecnologia como uma atividade cada vez mais interdependente.

E, na seção Resenhas, o professor Paulo César de Camargo da Universidade Federal do Paraná faz um relato do livro "O Mundo Assombrado pelos Demônios. A Ciência Vista como uma Vela no Escuro". O livro indicado nesta edição é de autoria de Carl Segan e foi publicado em 1995. Segundo Camargo, a obra procura mostrar que o uso do método científico, que envolve ceticismo e admiração, é um estado de espírito fundamental para compreendermos o mundo físico em que vivemos, buscando-se sempre a luz ao invés de praguejar contra a escuridão.

Fazer esta edição sobre ciência fez com que a equipe desta revista digital se impusesse limites na abordagem do tema. Isso se deve por ele ser um assunto de ampla abrangência. Esses limites também incluem a não publicação de diferentes pontos de vista influenciados por algumas correntes. Esperamos que esta abordagem agrade, mesmo que não a todos, a maioria dos leitores e que sirva para esclarecer a influência que a ciência tem na sociedade.

quarta-feira, 14 de março de 2007

Hoje é o dia do Aniversário de Albert Einstein


No dia 14 de março de 1879 nasceu Albert Einstein, na região de Württember, na Alemanha. Embora seja apenas uma data entre muitas outras, vale a pena lembrar, pois ele foi um dos maiores cientistas de todos os tempos, não somente pelo seu trabalho como físico, mas também pela grande contribuição para o pensamento humano no geral, seja no campo da filosofia, ciência e religião.
Se Einstein ainda estivesse vivo estaria comemorando 128 anos.

Parabéns para aquele que se transformou no primeiro "pop star" da Física e é reconhecido como tal até os dias de hoje.

sábado, 3 de março de 2007

O Eclipse foi um fracasso em São Carlos, mas fez alguns olhos brilharem.

Infelizmente o eclipse da Lua em São Carlos foi um fracasso. A Lua ficou coberta de nuvens e somente foi possível ver o eclipse em raros momentos. Entretanto, valeu a pena para os meus filhos, em particular para minha pequena filha de nove anos que achou lindo olhar pelo telescópio e ver a Lua. Ela me perguntou se Lua era do tamanho de São Carlos. Quando eu falei a ela que era quase do tamanho do Brasil ficou muito surpresa e os seus olhos briharam. Afinal valeu a pena por isso, pois é mais uma alma que deixou de ficar pequena.

sexta-feira, 2 de março de 2007

Amanhã haverá um eclipse lunar total


Amanhã, 03 de março de 2006, ocorrerá um eclipse lunar total que poderá ser visto em todo o Brasil a partir das 18h35. Será uma boa oportunidade para ver um dos passos do mestre-sala (Lua) , que ficará até ruborizado com a porta-bandeira (Terra) nesse fenômeno, conforme a analogia que fiz na minha coluna no Ciência-Hoje Online e logo aqui abaixo dessa postagem. Embora
o fenômeno não seja muito raro é uma boa oportunidade para
observar um dos espetáculos da natureza.